Inflação compromete ganhos dos investidores brasileiros em 2022 e Bitcoin lidera perdas com 45% de desvalorização real



A inflação em alta está encolhendo cada vez mais o poder de compra e os rendimentos financeiros da população brasileira em 2022, de acordo com uma reportagem publicada pelo Valor Investe na quarta-feira, 1º de junho.

Com a projeção de 0,28% para o IPCA em maio, o índice chegará a 4,59% no acumulado dos cinco primeiros meses do ano. Assim, foram poucas as aplicações que conseguiram superar ou mesmo acompanhar a alta da inflação no Brasil até agora em 2022.

Tido como um potencial ativo de proteção contra a inflação e a perda do poder de compra dos cidadãos, o Bitcoin (BTC) liderou as perdas reais acumuladas, registrando desvalorização de 45,22% em 2022, tendo sofrido ainda o impacto adicional da apreciação do real contra o dólar.

A moeda norte-americana caiu 14,77% desde o início do ano. Somando-se o índice da inflação brasileira, a rentabilidade real do dólar é de -18,5% até aqui. O ouro, ao qual o Bitcoin costuma ser comparado, não escapou à tendência geral do mercado. O metal precioso registra perdas reais da ordem de 19,16% em 2022.

Entre os indicadores dos ativos de renda variável, o índice Ibovespa é um dos poucos que tem sido capaz de bater o IPCA. O índice da bolsa brasileira registra rendimentos nominais anuais acumulados de 6,23%, que equivalem a 1,59% em termos reais.

O principal destaque do segmento de renda variável , no entanto, é o índice de dividendos (IDIV), que valorizou 4,26% em maio e 14,16% no ano. Uma alta de 9,15% descontada a inflação.

Renda fixa e taxa de juros

Investimentos em renda fixa também vêm registrando rentabilidade real negativa em 2022. Exceção feita ao IMA-B 5 e o IMA-B, que representam cestas de títulos do Tesouro IPCA+, com prazos de até cinco anos. Ambos registram até aqui rentabilidade nominal de 6,25% e 4,73%, e real de 1,59% e 0,13%, respectivamente.

Analistas do Itaú Unibanco e da Claritas ouvidos pela reportagem do Valor Investe acreditam que embora a taxa de juros da economia brasileira esteja atualmente em 12,75% o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) ainda não chegou no teto. Ambos projetam que a taxa de juros deva ser elevada até 13,75%, patamar em que deve se manter até o final do ano.

Com uma das maiores taxas de juros nominais do mundo, o Brasil pode ter se antecipado a um movimento global de aperto monetário, favorecendo investimentos de renda fixa.

Ainda mais porque os cenários macroeconômico e geopolítico globais devem permanecer inalterados até o final do ano. Os principais fatores que têm determinado o comportamento dos mercados devem permanecer inalterados, apesar dos recentes ralis de alívio das bolsas americanas e de uma breve recuperação do Bitcoin iniciada no final de semana, porém já interrompida. Ambos os movimentos do mercado revelaram-se insuficientes para reverter a preponderante tendência de baixa de curto e de médio prazo que afeta os ativos de risco.

Daqui por diante, o Banco Central dos EUA (Fed) deve acelerar sua política de aperto monetário e aumento das taxas de juros em reação ao choque inflacionário, Ainda mais porque a guerra na Ucrânia atua como um vetor de pressão adicional nos preços das commodities, afetando a economia global de forma ampla. 

Há ainda o temor crescente de que uma recessão na China seja inevitável. Principalmente devido às diretrizes restrititivas de isolamento social impostas pelo governo chinês com sua política de tolerância zero ao coronavírus.

A inflação deverá ser guiada pelos preços do petróleo e de seus derivados, afirmou à reportagem Gina Bacelli, economista da área de estratégia de investimentos do Itaú Unibanco. Assim, instrumentos de renda fixa estão entre as principais indicações de investimento do banco aos seus clientes. 

Preferencialmente, títulos prefixados de vencimento mais curto, com prazo de até três anos, e em papéis atrelados à inflação, que asseguram ganho real no longo prazo e, portanto, retornos mais atrativos.

Embora avalie que o preço de algumas ações na B3 estejam atrativos, a relação risco-retorno ainda é desfavorável em comparação com a renda fixa. Por fim, Bacelli diz que o Itaú Unibanco sugere alocação entre 14% a 19% em renda variável, dependendo do perfil de risco do investidor. Não há uma sugestão específica para Bitcoin e outras criptomoedas.

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente, o preço do Bitcoin ainda poderia chegar a US$ 14.000 durante o atual ciclo de baixa. Mesmo assim, os patamares atuais de preço, em torno de US$ 30.000 podem resultar em boas oportunidades de compra para investidores com foco no longo prazo.

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