Stepn (GMT), ApeCoin (APE) e Avalanhce (AVAX) lideram perdas e apenas um token do top 100 registra valorização


Maio chegou ao fim registrando alguns fatos históricos nada positivos para o mercado de criptomoedas. Principal criptomoeda do mercado, o Bitcoin (BTC) bateu o recorde de nove fechamentos semanais consecutivos em queda. Ao longo do mês, o preço do BTC retrocedeu 15,5%. Em 1º de maio, o par BTC/USD estava cotado a US$ 37.630 e em 31 de maio valia US$ 31.801, de acordo com dados.

Pela segunda vez em sua história, o Ethereum (ETH) registrou oito semanas consecutivas com fechamentos semanais no vermelho. O Ether acumulou perdas de 28% e fechou o mês negociado a US$ 1.941. Maio de 2022 foi o pior mês da história da segunda maior criptomoeda do mercado desde março de 2020, quando foi brutalmente impactado pelo coronavírus.

Dois tokens que no início do mês figuravam no top 10 do ranking de criptomoedas por capitalização de mercado – o LUNA e o TerraUSD (UST) literalmente deixaram de exisitir depois que uma espiral da morte dizimou o ecossistema do Terra.

O ecossistema DeFi (finanças descentralizadas) perdeu US$ 105 bilhões em valor total bloqueado (TVL), recuando a níveis vistos anteriormente durante a correção do mercado de julho do ano passado. E as principais coleções de NFTs viram seu preço base retroceder em aproximadamente 50%.

Como saldo final, a capitalização total do mercado de criptomoedas caiu 29%, retrocedendo de US$ 1,7 trilhão no início de maio para 1,2 trilhão na terça-feira, 31.

Um ganhador

A única criptomoeda a fechar o mês passado no verde foi a Tron (TRX). Por ironia do destino, a valorização de 34,8% registrada pelo TRX foi impulsionada pelo lançamento do USDD, uma stablecoin algorítmica criada à imagem e semelhança do TerraUSD (UST) – possivelmente o principal responsável pelo banho de sangue pelo qual maio de 2022 ficará registrado na história das criptomoedas.

Assim como a stablecoin do Terra rendia juros fixos de aproximadamente 20% sobre quantias depositadas no Anchor Protocol (ANC), os rendimentos para quem fizer staking do USDD ficam em torno de 30%. Trata-se de uma promessa de Justin Sun, o CEO que é uma espécie de Do Kwon da Tron.

Dados do DeFi Llama e do CoinMarketCap indicam que o crescimento do valor total bloqueado na Tron coincide com o crescimento do valor de mercado do USDD. O TVL da Tron cresceu mais de 40% ao longo do mês passado, subindo de US$ 4 bilhões em 1º de maio para mais de US$ 6 bilhões no dia 31. Enquanto isso, a capitalização de mercado do USDD chegou a US$ 602 milhões após seu lançamento em 2 de maio.

Assim como no caso do UST, Sun não explicou como manter a sustentabilidade do protocolo mantendo uma taxa de juros anual de tal magnitude. De qualquer forma, a recente expansão do ecossistema DeFi da Tron e a valorização do TRX sugerem que o mecanismo de incentivo está funcionando, ignorando o riscos de que o USDD acabe replicando na Tron a espiral da morte que resultou no colapso do ecossistema do Terra.

Inúmeros perdedores

Em termos de perdas, o LUNA é hors-concours. O token nativo do Terra, que passou a ser chamando LUNC após o relançamento do Terra 2.0 e do lançamento do novo LUNA, ou LUNA2, desvalorizou 100%. Não sem impedir que traders tenham conseguido obter rendimentos exponenciais em negociações de alto risco, antes de se tornar definitivamente coisa do passado.

Assim, quem liderou as perdas do triste mês de maio foi o Stepn (GMT). O token de utilidade do game move-to-earn que vem se configurando como um dos grandes – e únicos – fenômenos positivos em um mercado de baixa desvalorizou 66,8% em maio. Inclusive, alguns analistas já começam a levantar dúvidas sobre a sustentabilidade do projeto que recompensa os usuários pela realização de exercícios físicos.

Um dos fatores decisivos para a queda do GMT em maio foi o anúncio de que os desenvolvedores do Stepn bloquearão os usuários do app baseados na China para se adequar à legislação local. O governo chinês não permite que dados de usuários de aplicativos móveis recolhidos no país sejam transferidos para outras jurisdições.

A queda do GMT se acentuou depois que os desenvolvedores do Stepn aconselharam os usuários radicados na China a vender seus NFT Sneakers. Em pouco tempo o preço base dos NFTs acompanhou o declínio do preço do GMT, que fechou o mês cotado a US$ 1,18, de acordo com dados do CoinMarketCap.

A seguir, a ApeCoin (APE) acumulou perdas de 66%, revertendo praticamente todos os ganhos que antecederam o lançamento dos NFTs Otherdeeds do metaverso Otherside em 30 de abril. A necessidade de utilização do APE para aquisição dos NFTs havia impulsionado o preço do token criado para ser a moeda oficial do ecossistema construído em torno da coleção de NFTs Bored Ape Yacht Club (BAYC).

O processo conturbado de lançamento dos NFTs Otherdeeds derrubou o preço do token logo após o evento. Em paralelo, o declínio do preço-base dos NFTs do BAYC e de suas coleções derivadas também contribuiu para a continuação da queda do APE até o fim do mês. Em 31 de maio, o token estava cotado a US$ 6,78, ao passo que havia iniciado o mês valendo US$ 19,99.

Coube à Avalanche (AVAX) o terceiro lugar no ranking de perdas acumuladas em maio, registrando uma variação negativa de 53,6%. O AVAX foi duramente impactado pelo colapso do Terra, visto que parte das reservas da Luna Foundation Guard (LFG) eram mantidas em AVAX.

Depois que a LFG liquidou suas reservas de mais de 80.000 BTC na luta para tentar restabelecer a paridade do UST com o dólar e interromper a espiral da morte instalada no ecossistema do Terra, espalhou-se um temor no mercado de que os AVAX em posse da fundação também pudessem ser despejados no mercado.

A pressão vendedora sobre o token nativo da Avalanche tornou-se irresistível e, assim, apenas no dia 11 de maio o AVAX acumulou perdas de 30%. Sendo que dois dias antes o AVAX já registrara perdas superiores a 20%. Depois de abrir o mês de maio cotado a US$ 56,98, o AVAX encerrou o dia 31 de maio valendo US$ 26,42.

Confira no gráfico abaixo a comparação do desempenho do Bitcoin e do Ethereum em relação às altcoins que mais se destacaram, positiva e negativamente, durante o mês de maio.

Gráfico diário com desempenho mensal de BTC (azul), ETH (laranja), GMT (verde), APE (amarelo), AVAX (roxo) e TRX (magenta). Fonte: TradingView

Junho

Os investidores que esperam por um mês de junho mais positivo, no qual Bitcoin e Ethereum sejam capazes de interromper suas longas sequências semanais negativas, e as altcoins consigam ao menos estancar suas perdas, ainda não têm motivos para comemorar.

No final da tarde desta quarta-feira, o par BTC/USD está sendo negociado por US$ 30.018. Registrando uma baixa intradiária de 4,9%, o Bitcoin parece incapaz de evitar que os ursos quebrem o suporte de US$ 30.000 até o fechamento da vela diária.

O Ether, por sua vez, mostrou-se incapaz de romper a resistência em US$ 2.000 e retrocedeu para US$ 1.813, acumulando perdas de 6,4% nas últimas 24 horas. 

Entre as demais altcoins, o Stepn lidera as perdas diárias, com desvalorização de 13,6%, cotado a US$ 1,03. O ApeCoin também mantém a tendência de baixa, cotado a US$ 6,13 e acumulando perdas de 9,1%. O mesmo vale para a Avalanche, em queda de 7% e cotado a US$ 24,02.

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente, analistas preveem que o fundo do ciclo de baixa atual para o preço do Bitcoin pode estar próximo à zona de US$ 14.000.

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