Com título de Bitcoin ainda sendo aguardado, El Salvador é acusado de violações de direitos humanos



O ministro das Finanças de El Salvador, Alejandro Zelaya, disse que o país atrasará ainda mais o lançamento de seu esperado título de Bitcoin (BTC) de 1 bilhão de dólares, citando a volatilidade dos preços e as condições incertas do mercado resultantes da guerra Rússia-Ucrânia.

A notícia chega ao mesmo tempo em que a Anistia Internacional acusou as autoridades salvadorenhas de “flagrantes violações dos direitos humanos e criminalização de pessoas que vivem na pobreza”.

Em uma entrevista na quarta-feira no programa de notícias local “Frente a Frente” (Face-to-Face), Zelaya foi questionado se a situação com a emissão de títulos de Bitcoin de US$ 1 bilhão de “alguns meses atrás” havia mudado.

“Não, ainda não, o preço do [Bitcoin] continua sendo interferido pela guerra na Ucrânia”, disse ele de acordo com uma tradução aproximada. Acrescentou que “a curto prazo as variações são constantes mas a longo prazo tende sempre a valorizar:”

“Há um futuro e uma inovação econômica [no Bitcoin] na qual devemos apostar.”

O plano para o título foi anunciado originalmente em novembro de 2021 pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele. Metade do US$ 1 bilhão esperado é para financiar a construção da Bitcoin City perto de um vulcão, com a ideia de que sua energia geotérmica possa ser aproveitada para mineraçao de Bitcoin. A outra metade dos fundos arrecadados seria investida em Bitcoin.

O título de US$ 1 bilhão estava originalmente programado para ser lançado em meados de março de 2022, mas em uma entrevista em março, Zelaya atrasou o lançamento, citando a volatilidade dos preços, dando uma possível data de lançamento por volta de junho com um cronograma que se estende até setembro de 2022.

Crescentes temores de que o país poderia deixar de pagar um título de US$ 800 milhões com vencimento em janeiro de 2023 fez com que a agência de classificação Moody’s rebaixasse a classificação de crédito de El Salvador em 4 de maio, citando a “falta de um plano de financiamento confiável”.

O governo de El Salvador compra Bitcoin desde setembro de 2021, com Bukele anunciando que o país comprou mais 500 BTC em 9 de maio. Estima-se que El Salvador tenha perdido mais de US$ 35,6 milhões em seus investimentos em BTC até agora.

Anistia Internacional: “Crise dos direitos humanos”

Enquanto isso, a organização sem fins lucrativos de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional acusou o governo de El Salvador de cometer “profundas violações de direitos humanos” por meio de prisões arbitrárias, maus-tratos e tortura de prisioneiros.

Um estado de emergência (SOE) foi declarado pelo presidente Bukele em 27 de março devido ao aumento da taxa de homicídios, que o governo atribuiu a gangues e ao crime organizado. O SOE já foi prorrogado duas vezes.

O grupo de direitos humanos disse que o SOE mudou leis e procedimentos legais que prejudicam os direitos de defesa, a presunção de inocência, recurso judicial efetivo e acesso a um juiz independente.

Durante a repressão, mais de 35.000 pessoas foram presas em menos de três meses, com o aumento das prisões fazendo com que 1,7% da população do país com mais de 18 anos estivesse detida, resultando em superlotação de mais de 250% da capacidade carcerária.

0 homicídios.#Seguimos

— Nayib Bukele (@nayibbukele) 2 de junho de 2022

Mas, apesar dos abusos, muitos salvadorenhos concordam com as medidas duras de Bukele, já que o presidente continua popular nas pesquisas de opinião. A pesquisa mais recente divulgada pela mídia local nesta quarta-feira mostra uma taxa de aprovação de quase 87% para o atual presidente.

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