Ativistas dizem que mineração de Bitcoin consome mais energia que a Suécia e propõem mudança de código na criptomoeda



Espremido diante de uma economia global que dá sinais de estar à beira de um precipício e que pode piorar pela bolha catastrófica que promete afetar o mercado de criptomoedas, o Bitcoin (BTC), negociado pouco abaixo dos US$ 29,9 mil e com queda de cerca de 5% segundo o mapeamento do CoinMarketCap no início da tarde desta terça-feira (7), parece caminhar em direção ao que se apresenta como derradeiro debate em torno dos efeitos colaterais decorrentes da atividade de mineração, no caso a utilização de energia fóssil envolvendo a atividade. 

O problema pode ser revertido segundo os ativistas  do movimento Clean up Bitcoin (Limpe o Bitcoin), que promoveram a campanha “Change de code, not the climate” (Mude o código, não o clima) envolvendo uma petição que busca sensibilizar as grandes empresas de tecnologia e de finanças para encamparem a busca por alteração no protocolo da principal criptomoeda do mercado.

Apesar da descrença dos “veteranos do Bitcoin”, que lembram as tentativas de mudança do tamanho dos blocos da rede blockchain entre os anos de 2015 e 2017, inclusive o debate sobre a atualização Segregated Witness (SegWit), encampado por gigantes tecnológicas com o argumento  de proteção contra a maleabilidade das transações e aumento da capacidade dos blocos com a redução dos tempos de transação, os organizadores da campanha parecem acreditar que as possíveis consequências da mineração para o planeta podem ajudar a sensibilizar a comunidade. 

Segundo os ambientalistas, as emissões de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera decorrentes da mineração podem elevar a temperatura do planeta em mais de dois graus Celsius nos próximos anos. Eles argumentam que a atividade equivale ao consumo energético da Suécia, mas pode aumentar. Tanto que, de acordo com os ativistas, mineiros de Bitcoin teriam comprado usinas de carvão do Texas, nos Estados Unidos, além de fecharem acordo com indústrias petrolíferas daquele estado para a queima de gás na atividade. 

Por outro lado, eles alegam que uma mudança na rede blockchain do Bitcoin poderia resolver 99,9% do problema e citaram as mudanças promovidas pela rede Ethereum para argumentar que a mudança é possível. Mas, uma eventual alteração no protocolo, conforme mostra a história do Bitcoin, não é uma tarefa fácil porque implicaria a retirada do algoritmo de consenso conhecido para manter a descentralização da criptomoeda, no caso o consenso de prova de trabalho (PoW), justamente o que mantém a força dos usuários nos rumos da rede, e não de empresa tecnológica, financeiras, tampouco de governos, segundo os argumentos contrários a mudanças da rede.  

O Environmental Worging Group (EWG) é uma das organizações ambientais que encamparam a cruzada em prol de mudança na rede Bitcoin e que demonstra não medir esforços para promover o “Bitcoin sustentável.”

Parando apenas por um momento para notar que qualquer ambientalista trabalhando em qualquer questão de poluição já encontrou uma versão dessa mesma postura infantil, vamos agora focar em um assunto que os defensores obstinados do Bitcoin convenientemente ignoram: as vidas reais e lugares reais ameaçados hoje pela poluição de mineração de bitcoin com fome de energia. Essas pessoas, essas comunidades, são o que trouxe o EWG para a campanha, não para se opor ao Bitcoin, mas para limpá-lo.

Achamos que a comunidade bitcoin deveria mudar o código, não o clima, defendeu o EWG em um artigo recente acrescentando exemplos de localidades que, segundo a organização, estão sofrendo com a chegada de fazenda de mineração de Bitcoin que fizeram disparar a emissão de CO2 na atmosfera.

No Estado de Nova York, o avanço de projeto de lei para banir a mineração de prova de trabalho (PoW), gerou reação na comunidade cripto nos últimos dias e a esperança de que o governador do estado vete a proposta, conforme noticiou o Cointelegraph.

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