Bitcoin mantém correlação com mercado de ações e alta recente do preço do BTC não indica reversão de tendência, diz analista


O Bitcoin (BTC) interrompeu uma sequência de 9 velas semanais consecutivas vermelhas ao fechar cotado a US$ 29.919 neste domingo, 5. A alta de 1,5% na primeira semana de junho, no entanto, seria irrelevante não fosse pelo simbolismo de ter evitado um novo recorde negativo consecutivo do preço do BTC.

Desde a última semana de março até a última semana de maio, o par BTC/USD recuou de máximas de US$ 48.189 a mínimas de US$ 26.350, acumulando perdas de até 45% entre o topo e o fundo locais.

O crescimento do preço do BTC registrado a partir do fim de semana está relacionado à alta moderada do Índice S&P 500. A correlação do Bitcoin com o mercado acionário mantém-se próxima às máximas históricas, embora tenha declinado levemente nos últimos dias.

Bitcoin segue preso em uma faixa estreita

Em uma análise exclusiva para o Cointelegraph Brasil, Diego Consimo, fundador do Crypto Investidor aponta que a manutenção da correlação do preço do BTC com o mercado acionário poderá derrubar o par BTC/USD novamente em breve:

“A alta do Bitcoin irá coincidir com a última pernada de recuperação do ES1 – Futuros do S&P 500, que deve buscar a faixa entre 4300 a 4350 pontos nos próximos dias. Esta é uma região de forte resistência e deve rejeitar o rompimento, visto que a média móvel de 21 semanas e o topo do canal de baixa se encontram nessa região. Diante do cenário macroeconômico de alta da taxa de juros dos EUA e a inflação em alta, a possibilidade do S&P 500 corrigir até a zona de 3600 a 3500 pontos é grande. Além disso, as médias móveis de 200 períodos se encontram nessa mesma região.”

Gráfico semanal BTC/USDT com zona alvo na caixa verde (Binance). Fonte: Crypto Investidor (Trading View)

Outro indicador importante aos quais os traders devem ficar atentos é a força do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes medida pelo DXY. Historicamente, o Bitcoin e o DXY mantém uma correlação negativa. Depois de fazer um topo em 11 de maio, o índice do dólar cedeu um pouco, mas seu comportamente no curto prazo terá um efeito decisivo para determinar a ação de preço do Bitcoin.

À espera da divulgação dos dados da inflação dos EUA, que ocorrerá na próxima sexta-feira, 10, o Bitcoin ainda precisa romper definitivamente acima da zona onde vem transitando desde os eventos que decretaram a falência do Terra e a capitulação do mercado. Só assim os traders poderão visualizar uma reversão de tendência, afirma Consimo:

“Os alvos para o preço do BTC ainda continuam entre US$34.000 a US$36.000, com o objetivo de testar sua LTB (linha de tendência de baixa), que vem da máxima de abril do ano passado.”

S&P 500 Mini Futuros com regiões de suporte e resistência de curto prazo. Fonte: Crypto Investidor (Trading View)

Zona de suporte

Apesar da liquidação das últimas semanas, o Bitcoin não quebrou abaixo de duas linhas de tendência importantes: seu preço de custo de mineração de 1 BTC, atualmente em US$ 24.000, e a média móvel de 200 semanas, que se encontra na faixa de US$ 22.000.

Embora o preço do BTC tenha fechado abaixo de seu preço de custo em ciclos de baixa anteriores, raramente consolidou uma vela semanal abaixo da média móvel de 200 semanas. A proximidade de ambas as linhas cria uma forte zona de suporte nesta região.

É justamente em uma zona entre US$ 22.800 e US$ 24.000 que Consimo projeta o possível fundo do par BTC/USD neste ciclo antes de que uma reversão de tendência definitiva possa ter início. No entanto, isso não deverá acontecer antes de um período de acumulação.

Gráfico diário BTC/USD com padrão Wyckoff de acumulação (Binance). Fonte: Crypto Investidor (Trading View)

No final da tarde desta segunda-feira, o par BTC/USD está sendo negociado a US$ 31.441, registrando uma alta de 4,5% nas últimas 24 horas, de acordo com dados do CoinMarketCap.

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