Fernando Ulrich explica por que o Bitcoin ainda não pode ser considerado um ativo de reserva de valor



Cotado em torno de US$ 21.000 na manhã desta quarta-feira, 15, o Bitcoin (BTC) encontra-se 69% abaixo de sua máxima histórica registrada em 10 de novembro do ano passado, de acordo com dados do CoinMarketCap, e se encaminha para mais um recorde histórico negativo. Será a maior sequência de fechamentos diários consecutivos com o preço do BTC em desvalorização, caso se confirme a nona vela vermelha até o final do dia.

Tamanha variação parece invalidar a tese de que o Bitcoin poderia ser considerado uma espécie de “ouro digital”, atuando de forma efetiva como um ativo de reserva de valor e de proteção contra a inflação em tempos de aumentos contínuos de preço que assolam a economia global.

Questionado sobre as propriedades do Bitcoin como ativo de reserva de valor durante uma transmissão em seu canal no Youtube, o economista Fernando Ulrich afirmou que, atualmente, a principal criptomoeda do mercado, ainda não se configura, de fato, como uma alternativa ao ouro e não tem as propriedades de hedge necessárias para tal:

“Sobre o que está sendo feito com o Bitcoin, em termos de tudo que ela representa, o que ele afronta, instituições que ele desafia, não é algo trivial. Então não dá para imaginar que em dez anos, pronto, já seja uma tecnologia estabelecida.”

Os desafios enfrentados pelo Bitcoin para assumir esse papel, enquanto uma tecnologia disruptiva capaz de revolucionar o sistema financeiro tal qual o conhecemos hoje, são imensos, reconheceu o economista, fazendo referência à alta volatilidade do preço do BTC e à adoção ainda incipiente:

“Além de ser uma tecnologia muito inovadora, com muitas quebras de paradigma, achar que como um ativo ele vai alcançar estabilidade de valor e adoção plena como reserva de valor em 13 anos, eu acho que é querer demais do Bitcoin.”

Narrativa em xeque

A narrativa do Bitcoin como ativo de reserva de valor ganhou força ao longo do ciclo de alta do ano passado, quando o Bitcoin acumulou uma valorização anual de 75%. Aqueles que defendem que o Bitcoin possui tal propriedade argumentam que, ao longo de seus pouco mais de 12 anos de existência, a valorização da maior criptomoeda do mercado a credencia como ativo de proteção do patrimônio.

No entanto, a queda de 54,3% desde o início deste ano devolveu o Bitcoin a patamares de dezembro de 2020, anulando praticamente todos os ganhos do ciclo de alta de 2021 e a narrativa perdeu força. No momento delicado que o mercado atravessa atualmente, ela praticamente foi abandonada.

No entanto, Ulrich acredita que a atual queda do mercado não abala os fundamentos do Bitcoin. Portanto, é possível visualizar um futuro no qual o Bitcoin possa enfim cumprir a promessa de se tornar o “ouro digital”:

“Ter a certeza de que isso vai acontecer é impossível. Mas eu acho que sim, ele tem esse potencial de se configurar como uma reserva de valor cada vez mais. Essa percepção tem sido crescente, mas é uma confiança que vem com o tempo e não da noite para o dia. Talvez muita gente tenha até subestimado o tempo necessário para que isso aconteça. Mas, enfim, eu acho, sim, que em algum momento vai ser tratado como reserva de valor.

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil, o economista afirmou recentemente que tentativas de proibição da utilização do Bitcoin por parte de autoridades governamentais não teriam a capacidade de acabar com o BTC, a não ser que os bancos centrais fossem capazes de incorporar as propriedades que fazem da principal criptomoeda do mercado um ativo valioso, transparente e não censurável.

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