Comportamento dos mineradores indica que Bitcoin pode estar próximo do estágio final do ciclo de baixa, afirma especialista



Esta tem sido a pior semana de 2022 para o Bitcoin (BTC) com uma queda acumulada de aproximadamente 19% até aqui, mas o comportamento recente dos mineradores, uma das principais forças motrizes da rede do BTC e consequentemente do mercado, traz uma notícia ruim e outra boa para os investidores.

É o que diz Ray Nasser, um dos sócios e fundadores da Arthur Mining, startup brasileira sediada nos EUA pioneira no que vem sendo chamado de green mining – a combinação de eficiência operacional e minimização dos impactos ambientais na atividade de mineração de Bitcoin.

Em uma análise exclusiva para o Cointelegraph Brasil, Nasser confirma que os mineradores estão fortemente pressionados pela queda contínua do preço do BTC desde o final do ano passado. Diante da queda das receitas para mínimas de onze meses em maio, e que muito provavelmente deverão se aprofundar em junho, dadas as condições do mercado, os mineradores estão sendo obrigados a vender seus BTCs para financiar os custos operacionais da atividade:

“O minerador precisa vender seus BTC em momentos de instabilidade do mercado para controlar a sua convexidade. Ou seja, por natureza as suas operações já têm um valor flutuante conforme a ação de preço do BTC. Se mantiverem todos seus ativos em BTC, os prejuízos podem vir em dobro. Vender é um controle de risco. Com certeza, o lucro para operações colocadas durante o ano diminuiu significativamente.”

Ao mesmo tempo que o preço do Bitcoin vem caindo, a taxa de hash, que está diretamente relacionada ao custo de produção de novos BTCs, acabou de renovar sua máxima histórica e encontra-se em patamares bastante elevados. Esta combinação configura o pior dos cenários para os mineradores, afirma Nasser:

“O fenômeno de aumento da taxa de hash e queda do bitcoin já causou um impacto profundo na receita dos mineradores. Assim que esvaziarem seus estoques de BTC, eles vão ter que começar a desligar as suas máquinas para controlar seu custo operacional. Por outro lado, o custo das máquinas está caindo rápida e agressivamente. Assim, tudo indica que os atuais patamares da taxa de hash devem se sustentar no médio prazo.”

Influência dos mineradores sobre o mercado

Historicamente, o comportamento dos mineradores fornece aos investidores bons indicadores sobre os estágios dos ciclos do mercado. Dados on-chain divulgados pela Glassnode no começo desta semana revelaram que os mineradores estão movendo os seus Bitcoins para as exchanges em quantidades que não eram registradas há sete meses.

Esse é um claro indicador que os mineradores estão prontos para liquidar suas posições em antecipação a possíveis novas quedas do preço do BTC. A má notícia é que este é um ciclo que tende a se retroalimentar. À medida que os mineradores se veem obrigados a vender seus BTCs, o preço cai ainda mais, aumentando ainda mais a pressão vendedora sobre todas as entidades do mercado.

Segundo Nasser, embora alguns mineradores já estejam operando no prejuízo, eles ainda não capitularam:

Os mineradores ainda não capitularam. Se tivessem capitulado, seria possível observar um declínio da taxa de hash. Eu acredito que grande parte já está debaixo d’água, mas estão mantendo as máquinas ligadas na esperança de que outros desliguem-nas antes ou que o BTC suba. Já vimos isso acontecer no passado.”

A notícia boa é que quando a capitulação dos mineradores ocorrer, o Bitcoin deverá finalmente encontrar o fundo do atual ciclo de baixa do mercado. Pelo menos foi o que aconteceu em 2018, como lembrou o maximalista do Bitcoin e sócio-fundador da Castle Island Ventures, Nic Carter, em um episódio recente do podcast Best Business Show, comandado por Anthony Pompiliano:

“Vai acontecer a mesma coisa que em 2018. Eu acho que a última pernada de baixa que derrubou o preço do BTC para US$ 3.000 foi impulsionada por vendas maciças de mineradores. Então, eu fiquei com essa impressão desde que nós vimos as liquidações em 2018, visto que os mineradores são essa força pró-cíclica do mercado. Durante os ciclos de alta, eles mantém o Bitcoin, e então, durante os revezes do mercado, eles são obrigados a vender o Bitcoin. Isso ainda não aconteceu totalmente ainda, agora, mas eu acho que vai acontecer. O sinal de que o fundo chegou, para mim, será quando eles tiverem liquidado suas posições de Bitcoin.”

Nasser tem uma visão semelhante. A eventual capitulação dos mineradores será o sinal mais relevante para indicar uma reversão de tendência. A conjuntura macroeconômica, no entanto, pode atrasar o desdobramento dos fatos. O CEO da Arthur Mining conclui sua análise afirmando que não há como prever quando isso poderá acontecer:

“Sob o ponto de vista de mineração, o mercado encontra-se no último estágio de bear market. Historicamente, quando há uma capitulação, o mercado tem virado. Porém as forças que controlam o mercado vem de fora e é difícil saber exatamente quanto tempo ficaremos por aqui.”

Após uma breve recuperação na quarta-feira, 15, em seguida ao anúncio da elevação da taxa de juros em 0,75% pelo Banco Central dos EUA (Fed), em uma notícia mais que esperada mas ainda assim desfavorável aos ativos de risco, o Bitcoin voltou à faixa de US$ 21.000 nesta quinta-feira, 16. Nas últimas 24 horas, a maior criptomoeda do mercado registra uma baixa intradiária de 2,7%, de acordo com dados do CoinGecko.

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