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    Emmy Awards 2022 atira a todos os lados e Succession vence – 13/09/2022 – Ilustrada

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    Conhecido por sua aversão a surpresas, o Emmy Awards salpicou neste ano prêmios para diferentes públicos, ignorou algumas obras-primas e terminou a noite em portos seguros ao coroar “Succession”, “Ted Lasso” e “The White Lotus”.

    Poderia (deveria?) ser “Ruptura”, “Abbott Elementary” e “Estação 11” (esta nem foi indicada). Muitos reclamarão ainda que “Better Call Saul”, chegando ao final, merecia enfim seu Emmy. Mas não dá para dizer que sejam escolhas ruins.

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    Nas demais categorias, a academia conseguiu pulverizar troféus de “Abbott Elementary” a Zendaya, de “Euphoria”, passando pelo hit sul-coreano “Round 6”, os dramas soturnos “Ozark” e “Dopesick”, cada um sobre um lado da crise dos opioides americana, além de oferecer alguma representatividade, esta sim a maior mudança proporcionada pela era do streaming —duas atrizes premiadas (e uma roteirista) são negras, duas têm mais de 50 anos, um ator é asiático etc.

    É inegável, contudo, que ao fragmentar a premiação o Emmy parece não ter certeza de com qual público fala. Aclamar “Succession” como drama e roteiro e entregar a estatueta de melhor diretor a “Round 6”

    parece um aceno furtivo ao público jovem que amou o drama estilo game da Netflix.

    Deixar a mais provocativa “Abbott”, um “The Office” em escola pública, apenas com roteiro e escolher “Lasso” para melhor comédia tampouco faz sentido. E não dar nada a “Ruptura”, o suspense da Apple sobre a dicotomia vida pessoal-trabalho que tão bem captura o espírito do tempo, é triste.

    As duas vencedoras das categorias principais, escritas com excelência, recorrem a formatos e temas consagrados —a família rica e sórdida cheia de problemas, o azarão que muda de habitat e transforma todo um grupo etc.

    Só “The White Lotus”, que ficou com o título de melhor minissérie, corria na direção contrária, e curiosamente foi a única a reunir neste ano os troféus de roteiro e direção, além de levar o de melhor ator coadjuvante em minissérie ou filme para o deliciosamente enervante Murray Bartlett na pele de um gerente de hotel.

    Numa categoria na qual todas as demais produções eram inspiradas em histórias reais, essa comédia sarcástica e caricaturesca sobre ricaços em férias num resort no Havaí sobressaiu, talvez porque a realidade pandêmica só pudesse ser confrontada com essa dose cavalar de escapismo.

    A pandemia, que por tanto tempo nos deixou a sós com nossas próprias idiossincrasias, também parece ter estilhaçado a possibilidade de unanimidades. A única saga em cena, no caso deste Emmy, é “Succession”, aquela série em que você torce contra todos os protagonistas.

    Mesmo com o advento da segunda tela, temos visto séries e filmes cada vez mais sozinhos, porque a oferta é tanta e a disponibilidade é estreita. Se há algo atualmente em falta na TV, é a catarse coletiva.

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