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    Leia a íntegra da entrevista

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    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi sabatinado no programa “Candidatos com Ratinho”, do SBT. Durante a entrevista, o petista voltou a criticar seu principal adversário na corrida eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro (PL), e também disse que Ciro “está surtando”.

    Lula repetiu promessas de aumentar o salário mínimo e defendeu programas sociais. O candidato à Presidência da República se referiu ao impeachment sofrido pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) como “um golpe”.

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    Confira abaixo a íntegra da entrevista:

    [Ratinho]: Boa noite. Hoje vamos fazer o último encontro da série “Candidatos com Ratinho”. Nós estamos recebendo aqui o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e eu queria deixar bem claro que esse programa não é um programa para fazer uma inquisição com nenhum candidato. É para conversar, bater papo, para mostrar para um público popular, que é o meu público, o que pensam os candidatos e o que eles vão fazer caso sejam eleitos presidente do Brasil, que é uma eleição super, superimportante.

    Por que você quer ser… Posso te chamar de Lula?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Pode.

    [Ratinho]: Marca lá. 29 segundos. Nós vamos ter 30 minutos, igual os outros.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Deixa passar um pouquinho.

    [Ratinho]: Não pode. Infelizmente, não pode. Por que o senhor quer ser presidente de novo?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Olha, primeiro eu não quero ser presidente de novo. As circunstâncias políticas fizeram com que um conjunto de pessoas da sociedade brasileira, meu partido e mais dez partidos que nos apoiam, me escolhessem para ser o candidato. Porque, pela experiência acumulada, pela capacidade da construção da aliança que nós tivemos, inclusive trazendo o Alckmin para ser meu candidato a vice. O Alckmin que foi meu opositor em 2006.

    [Ratinho]: Aliás, eu ia te perguntar isso: o camarada que mais xingou em campanha política foi o Alckmin e agora é teu vice?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Mas deixa eu te falar uma coisa: eu aprendi na política de que você não pode ficar fazendo política com o fígado. Numa disputa política é como um jogo de futebol. No jogo de futebol, se você vai jogar num time contra o teu irmão, ele vai te dar pontapé no pescoço para você não marcar gol. Numa disputa política, todo candidato quer mostrar que é melhor do que o outro. E o Alckmin fazia isso. E era o papel dele.

    Na verdade, como eu estava na frente, eu tinha que estar mais tranquilo. Então, veja, eu acho o Alckmin um homem de bem, uma pessoa de lisa postura, uma educação refinada, e um cara que foi governador de São Paulo 16 anos e vice por seis anos. O acúmulo de experiência que ele tem, Ratinho, vai fazer com que a gente possa reconstruir o nosso Brasil.

    [Ratinho]: O senhor diz que vai aumentar o salário mínimo. Como é que o senhor vai aumentar o salário mínimo?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Aumentando.

    Deixa eu lhe falar uma coisa: quando eu fui presidente, a gente aumentava o salário mínimo. Você repunha aquilo que era a inflação, e você dava o aumento de salário de acordo com o crescimento do PIB. Olha, se o PIB crescer 5%, você dá inflação e mais 5%. Se o PIB não crescer nada, você dá a inflação e não dá nada. Foi assim que nós fizemos durante o nosso governo e, por isso, o salário mínimo aumentou 77%.

    [Ratinho]: Lula, você tem falado em regular a mídia. Nem sei o que é regular a mídia. Vou te perguntar: o que é regular a mídia, regular a internet? O que você vai fazer? Você vai proibir o povo ver vídeo de sacanagem na internet?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Primeiro que não é o presidente que regula, quem regula é o Congresso Nacional e a sociedade. Quando eu era presidente, em 2009…

    [Ratinho]: Já pensou você proibir o meu programa?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Não, não vou proibir, eu quero que você faça mais programa e me convide mais vezes. Deixa eu lhe falar uma coisa.

    Em 2009, nós tivemos uma grande conferência nacional, participaram mais de três mil pessoas, inclusive participaram canais de televisão grande, rádios, e nós aprovamos um processo que depois não foi encaminhado. Aí se cria a ideia de que a gente quer regular. Você não pode regular revista, você não pode regular jornal, você pode tentar fazer com que os meios de comunicação no campo eletrônico e na internet possam ser regulados de acordo com os interesses da sociedade.

    É importante a gente lembrar que a última regulação foi de 1962. A gente ainda vivia nos tempos do telégrafo. Então é preciso tentar adaptar a legislação à realidade contemporânea que estamos vivendo.

    [Ratinho]: Seus adversários dizem o que BNDES, no seu tempo, financiou obras em países como Bolívia, Nicarágua e outros países, Venezuela, Cuba. Se você voltar a ser presidente, vai continuar isso?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Primeiro, deixa eu te dizer uma coisa, você que é uma pessoa influente, você que é uma pessoa que tem um público que é um público que eu conheço bem, que é meu meio ambiente. Deixa eu lhe falar uma coisa: quando você está financiando uma obra lá fora, você está financiando a tua engenharia. Você está exportando a tua engenharia. Por exemplo, quem começou a fazer o metrô de Caracas foi o presidente Fernando Henrique Cardoso.

    Então, primeiro, quando o BNDES empresta dinheiro, a empresa é obrigada a contratar uma empresa brasileira. Segundo, os componentes são comprados do Brasil, então, na verdade, o que você tá fazendo é exportando, além de você receber o seu dinheiro de volta, o mundo inteiro… Como é que você acha que o Brasil se desenvolveu? Você sabe quanto dinheiro os americanos colocaram aqui no começo do século passado, a Inglaterra, o Canadá?

    [Ratinho]: Alguns países não pagaram.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Não pagaram… Veja, todo mundo paga. Todo mundo paga. Você pode ter dificuldade aqui ou ali, mas você paga. Você tá lembrado que quando o Delfim era ministro, quando o Furlan era ministro, o Brasil vivia de joelhos junto ao FMI, todo mês descia um casal, um homem e uma mulher de Washington para vir aqui fiscalizar nossas contas. Eu simplesmente acabei com isso, porque eu aprendi com minha mãe que eu só posso fazer dívida que eu possa pagar. Eu só posso gastar aquilo que eu ganho. Então, eu paguei o FMI.

    Emprestei 15 bilhões para o FMI e fizemos uma reservazinha de 370 bilhões de dólares, coisa que o Brasil não tinha. Então veja, deixa eu lhe falar uma coisa: o Alckmin fez muita crítica a mim em 2006 sobre esse negócio de exportar a engenharia. É importante isso acontecer porque você tá vendendo produtos brasileiros, está exportando conhecimento.

    [Ratinho]: Sim, mas você, o povo, eu tô falando porque eu tô nos botecos da vida e eu sei o que o povo fala. O povo acha que quando o candidato fala e mostra na televisão que tem muita gente passando fome, que tem muito coitadinho, que vai pegar o dinheiro que é brasileiro e que vai dar dinheiro para fora, então por que não dá pro coitadinho?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: É porque esse dinheiro não pode ser usado internamente, ele é emprestado. Não é dinheiro do orçamento. É dinheiro de um banco.

    Então, o banco pode emprestar para um empresário brasileiro chamado Ratinho, mas se o Ratinho não precisar de dinheiro e precisar um outro, você empresta. As condições de juros impostas por você, desde que… Veja, o Brasil é o único país do mundo em que o obriga quando alguém recebe o financiamento para contratar empresa brasileira. É uma coisa extraordinária.

    [Ratinho]: Quer dizer que isso vai continuar?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Se alguém precisar, muitas vezes ninguém vai precisar de dinheiro. Os Estados Unidos nunca vão precisar de dinheiro nosso. A Alemanha nunca vai precisar. Mas se você precisar financiar, coisa que você não poderia utilizar aqui dentro, a não ser que o empresário brasileiro quisesse tomar.

    O que você poderia ficar nervoso comigo, Ratinho? Vamos supor que tenha uma empresa brasileira que tivesse um bilhão de financiamento e tivesse uma empresa estrangeira que quisesse um bilhão de financiamento. Se eu deixasse de emprestar para você, brasileiro, para emprestar para o estrangeiro, aí você tinha razão de ficar puto comigo. Mas, se você não quer o dinheiro, o dinheiro está no banco e alguém quer tomar dinheiro emprestado e você vai ganhar juros porque você está emprestando, além do que você vai exportar peças, você vai exportar equipamentos, você vai exportar caminhão, vai exportar tratores, ou seja, uma coisa boa para os países. É assim, na história da humanidade.

    O Brasil, no começo do século XX, cresceu porque alguém resolveu financiar a ferrovia, porque alguém financia hidrelétrica.

    [Ratinho]: Por que no seu governo não teve ferrovia?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Lógico que teve ferrovia.

    [Ratinho]: Pouco.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: É o seguinte, você é o seguinte, vou te mandar.

    [Ratinho]: Aliás, não é o seu, o Fernando Henrique não teve nenhum trilho.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Se você prometer para mim, falar aqui, vou te mandar os números.

    [Ratinho]: Claro.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Deixa eu te contar uma coisa. Foi no governo do PT que nós fizemos a ferrovia que saiu do Maranhão, do Porto de Itaqui, que tinha sido feito só 200 km pelo presidente Sarney e pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, e trouxemos ela até Cruzeiro do Oeste. Aqui em São Paulo, foram quase dois mil e poucos quilômetros de ferrovia.

    [Ratinho]: Essa foi feita.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Segundo, nós fizemos a Leste-Oeste na Bahia, começamos a fazer.

    [Ratinho]: Você sendo eleito presidente, você vai fazer mais ferrovias?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Precisa fazer mais ferrovias.

    [Ratinho]: Privatizar essas ferrovias? O governo não tem dinheiro para fazer.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Depende, você só pode privatizar se tiver alguém que queira comprar. Para o governo, uma ferrovia não é uma coisa estratégica que tem na mão do Estado, mas muitas vezes se o Estado não for indutor daquele investimento, ele não acontece.

    Então, o que o Estado tem que estar preparado? Para ter dinheiro para emprestar a quem queira fazer. Eu vou te contar uma história. A Transnordestina é privada. O governo brasileiro colocou cinco bilhões de financiamento para a gente fazer uma ligação do Porto de Pecém ao Porto de Suape, em Pernambuco, passando por Eliseu Martins, no Piauí, para que a gente pudesse pegar um produto de um porto para outro. Até hoje ela não ficou terminada. Por quê? Tem briga entre os setores privados também. Não pensa que é só o setor público que tem briga. Mas nós vamos apostar em ferrovia, por quê? Porque nós temos que fortalecer o sistema intermodal de transporte do Brasil.

    Você tem uma costa marítima de oito mil quilômetros, você precisa ter mais navio para carregar as cargas de um país para o outro, você precisa de trem. O ideal é que um caminhão faça um transporte de, no máximo, 300, 400 km, o restante tem que ser de trem.

    [Ratinho]: Isso. Muito bom.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: E nós vamos fazer.

    [Ratinho]: Lula, qual o maior erro que o PT cometeu nesses 14 anos?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Eu acho que o maior erro que nós fizemos foi não fazer tudo o que a gente sonhava em fazer. Mas deixa eu lhe contar uma coisa. Você pode olhar uma coisa e pelo seguinte: ninguém fez a política de investimento em obra de infraestrutura como eu fiz. Ninguém! Nenhum presidente da República. Ninguém fez a política de inclusão social que eu fiz nesse país.

    Olha, nós geramos 22 milhões de empregos, nós aumentamos o salário mínimo, nós pagamos a dívida interna, nós reduzimos a inflação de 12,5% para 4,5%, que era o centro da meta. E no meu tempo de presidente da República, todas as categorias de trabalhadores organizadas recebiam aumento acima da inflação. Hoje, nem 10% recebem.

    [Ratinho]: Você pretende mudar a política da Petrobras? O que vai mudar para tentar, apesar que já baixou bastante o preço do combustível, baixou o petróleo, baixou o combustível.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Deixa eu lhe falar uma coisa.

    [Ratinho]: A gasolina está mais barata no Brasil do que na Inglaterra.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Permita-me falar uma coisa para você, o que a gente não pode é viver com base em mentiras. Quando nós descobrimos o pré-sal, a gente achava que o Brasil tinha que ser o exportador de derivados de petróleo, não exportador de óleo cru, por isso que a gente queria fazer a refinaria no Ceará, no Maranhão, em Pernambuco, fizemos a de querosene no Maranhão. Ou seja, e fizemos o polo petroquímico em Itaboraí, no Rio de Janeiro, que ficou parado com 85% da obra acabada.

    Eram 14 indústrias químicas lá dentro, simplesmente parou, porque o Brasil queria exportar derivado. Por isso que a gente criou, 75% dos royalties do petróleo do pré-sal era para investir em educação, ciência e tecnologia, e saúde.

    [Ratinho]: E por que não foi feito?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Não foi feito, meu caro, porque deram um golpe na Dilma e desmancharam tudo. Você está lembrado?

    [Ratinho]: Você acha que a Dilma foi golpe?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Você é um homem inteligente. Foi golpe, porque inventaram uma mentira contra ela. Deixa eu lhe contar uma história, veja.

    [Ratinho]: Mas com toda essa imprensa, supostamente inteligente que nós temos, todo mundo ficou contra? De repente?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Muito inteligente. Deixa eu lhe contar uma coisa, nunca na vida você poderia cassar uma presidente da República porque ela fez um acerto de contas, que eles colocaram o apelido de “pedalada”.

    Fernando Henrique Cardoso fez, eu fiz e todos os presidentes fizeram. Chega no fim do ano, você, às vezes, não tem o dinheiro para fechar o caixa, você pega dinheiro de outros programas, coloca lá e depois você repõe. Meu caro, isso é normal. Inventaram um golpe, e foi um golpe.

    [Ratinho]: Eu até hoje não sei o que é pedalada.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Foi um golpe.

    [Ratinho]: “Foi a pedalada, pedalada”. Tem gente que pensa que ela estava andando de bicicleta.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Porque você passou uma dívida que você tinha que pagar esse ano para outro ano e pegou dinheiro de uma outra conta, do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica, para poder cobrir esse dinheiro.

    [Ratinho]: Você fala muito, no seu programa, Lula, que você vai baixar o preço dos alimentos, o povo vai comer mais barato. Como você vai fazer isso?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Eu já fiz isso. Deixa eu lhe falar uma coisa, eu sou o único dos candidatos que pode vir aqui para você e dizer: “Eu posso fazer, porque eu já fiz”.

    [Ratinho]: O Ciro veio aqui e falou assim. O Ciro falou aqui que vai acabar com quem está devendo.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Eu vi.

    [Ratinho]: Eu estou devendo umas coisinhas aí, estou louco…

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Eu acho que o Ciro está surtando. Eu vi o Ciro falar para você aqui: “Não, porque a taxa de juros está muito alta, porque o Brasil pagou 500 bilhões”. Ele foi ministro da Fazenda durante três meses. Você sabe qual era a taxa de juros quando ele foi ministro? 55%. 55%. Se ele tiver memória curta, é importante ele lembrar, ele era ministro, e reduziu foi apenas para 49.

    Então, deixa eu lhe falar uma coisa, Ratinho, presta atenção em uma coisa: Quando eu cheguei à Presidência, em 2003, você acompanhou isso, a gente tinha uma dívida interna de 60.5% do PIB. Eu deixei com 37.7%. A gente tinha uma dívida externa com o FMI, que nós pagamos.

    O salário-mínimo não aumentava, nós começamos a aumentar o salário-mínimo. Nós saímos de 100 bilhões de fluxo de comércio exterior para 482 bilhões de reais. Ou seja, o Brasil ganhou protagonismo internacional. Eu não esqueço nunca, eu tenho uma cunhada minha que estava construindo uma casinha em Peruíbe. Ela pagava, o saco de cimento, 23 reais. Quando chegou em setembro de 2003, tinha abaixado para 9 reais. Então, é possível você reduzir o preço da comida, primeiro, aumentando a produção.

    Você está lembrado quando houve a crise em 2008, eu criei um programa chamado “Mais Alimentos” para financiar trator e implementos agrícolas para a Agricultura. Vendemos 80 mil tratores. Vendemos milhares de caminhões pequenos.

    [Ratinho]: Como é que chama? O MST está te apoiando…

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Movimento Sem-Terra.

    [Ratinho]: Eles vão começar a invadir as fazendas, vão ou não vão? Tem que perguntar, ué!

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Vou te dar um número aqui, você que é um cara estudado, vou te dar um número. Você sabe quanto de terra o PT colocou e disponibilizou para assentamento? 52 milhões de hectares. Isso é tudo o que foi feito em 500 anos. Assentamos quase 700 mil famílias. E hoje os sem-terra estão noutra. Os sem-terra estão produzindo, organizando cooperativas, e já viraram o maior produtor de arroz orgânico da América do Sul.

    [Ratinho]: Com você virando presidente, você não acha que vão se sentir à vontade para invadir?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Deixa eu falar uma coisa para você: me dá duas terras produtivas que os sem-terra invadiram, Ratinho. Sabe o que acontecia na verdade? Os sem-terra invadiam uma área, quem media se era produtivo ou não eram eles, era o governo, através do Incra, e quem pagava era o Incra. Era o governo que arcava com a responsabilidade de pagar a terra que muitas vezes o empresário não conseguia vender no mercado, porque ninguém estava querendo comprar terra.

    Então, o que eu quero te dizer é o seguinte: eu vou ganhar as eleições, a gente vai ter paz na cidade, a gente vai ter paz no campo, as famílias vão voltar a comer. Você pensa que eu não vi você falar com o Bolsonaro que tem gente falando em picanha? Eu vi você falar.

    [Ratinho]: Claro, foi você que falou, ué!

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Eu que falei em picanha.

    [Ratinho]: Mas o povo não come picanha, é acém. Eles falam que é picanha.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Eu vou lhe falar uma coisa, cara, você está no outro mundo.

    [Ratinho]: Não estou nada!

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: O povo que está assistindo ao seu programa, muitas vezes ele vai no açougue e compra uma picanha desse tamanho pensando que é picanha, e compra colchão duro, porque a picanha é uma pecinha assim.

    O que eu tenho dito? Quando eu era presidente, eu vi um cara, uma televisão famosa foi entrevistar o cara, e ele tirou um filé e falou: “Eu nunca tinha comido filé. E agora, com o Lula, eu estou comendo filé”. E a gente passou a comer picanha. Eu digo todo dia: “Nós vamos voltar a comer picanha”. Sabe aquela parte com aquela gordurazinha passada na farinha? A gente mastigar aquilo e tomar uma cervejinha gelada? É tudo o que o povo quer, Ratinho! O povo gosta de coisa boa, cara! Ninguém faz opção de ser pobre. Ninguém faz opção de sofrimento. Ninguém faz opção de não ter profissão.

    Então, veja, por que eu sou o presidente que mais fiz universidades na história do Brasil? Por que eu sou o presidente que mais fiz escolas técnicas na história do Brasil? Por que, de 2003 a 2015, nós colocamos cinco milhões de novos jovens na universidade? Só tinha três milhões e meio, Ratinho. E nós vamos fazer outra revolução na educação, na ciência e tecnologia. Vamos aumentar salário, aumentar a produção, financiar mais agricultura, tanto o grande quanto o pequeno. Porque nós precisamos produzir mais.

    [Ratinho]: Uma pergunta que todo mundo me faz, eu tenho que fazer para você. A gente está vendo que a Argentina está indo muito mal, né? Está indo muito mal. Todos esses países que se ligaram muito à esquerda estão indo mal. Você diz que é esquerda. Como é que nós vamos fazer?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Primeiro, eu sou torneiro mecânico.

    [Ratinho]: Direita, esquerda ou mínima?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Eu me considero um cidadão de esquerda. Eu me considero um cidadão de esquerda. Eu me considero um socialista refinado, porque eu defendo a propriedade privada, eu defendo a liberdade de organização, eu defendo o direito de greve, porque é engraçado esse mundo, Ratinho!

    Veja, eu sou teu empregado. Eu peço um aumento pra você, você me nega o aumento. Não acontece nada com você. Aí eu tenho pra vender minha mão de obra. Eu faço uma greve, a polícia vem pra cima de mim. Por que a polícia não foi pra cima de você, que negou? Por que só vem pra cima de mim? Ora, você vende o teu emprego e eu vendo a minha força de trabalho. Então o que eu quero é construir um mundo mais harmonioso. Eu já fiz isso, Ratinho, mais justo. Esse país era feliz. Até você era mais feliz. Até você dava mais risada. Até você…

    [Ratinho]: Eu ganhava mais naquela época.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Esse povo que assiste agora…

    [Ratinho]: Depois que entrou o Maciel, diminuiu muito.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Esse teu público que tá nos ouvindo aqui, ele sabe que ele comia melhor, ele sabe que ele passeava melhor. Ele viajava de avião. Quando ele começou a viajar de avião, os nossos inimigos diziam o seguinte: “o aeroporto virou uma rodoviária, tá cheio de pobre”. E é isso que eu quero, eu quero que as pessoas viajem, que as pessoas possam comer, beber, possam se vestir bem, é pra isso que você é presidente da república.

    [Ratinho]: Vou fazer um negócio, que eu sou meio contra todos os candidatos que falam que vão dar dinheiro pra quem está sem trabalho. Eu sou a favor de dar dinheiro pra quem está trabalhando. Quer dizer, pode até dar, pode até dar pra quem tá sem trabalho, dá lá um dinheiro, mas se o cara arrumar emprego, dá um pouquinho a mais, porque senão fica um povo ganhando uma mixaria e sem procurar emprego. Eu tenho essa preocupação.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Posso te contar uma coisa? Ratinho, no primeiro ano de governo, eu aprovei uma lei no Congresso Nacional, uma lei criando…

    [Ratinho]: Sua Bolsa Família era 180.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Mas eu criei uma lei em que o empregado que… o patrão que pudesse dar um emprego, eu dava 200 reais pra ele pagar. Ninguém dá emprego, as pessoas só dão emprego se tiver consumo, se tiver o que produzir. Por que eu fiz o Bolsa Família? Porque você tinha uma parcela da sociedade que estava abaixo da linha da pobreza.

    [Ratinho]: Foi um bom programa.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Mas não foi o Bolsa Família que resolveu o problema.

    [Ratinho]: Você toma o Bolsa Família quando o cara arruma o emprego é ruim!

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Mas o que resolveu a situação do Brasil foi o salário mínimo aumentar todo ano. Foi a gente fazer política de financiamento. Nós saímos de cinco bilhões de reais da agricultura familiar para 30 milhões. 30 bilhões. Nós fizemos o maior programa habitacional da história desse país. Meu caro, nós contratamos quatro milhões de casas, e para as pessoas que ganhavam muito pouco, a gente subsidiava as casas.

    [Ratinho]: Mas assim, esse povo tá fazendo pressão na Amazônia, porque no seu governo também teve bastante.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Não é necessário fazer pressão para produzir aonde não se deve produzir. Nós temos 30 milhões de pastos degradados.

    [Ratinho]: Tem. Tem mesmo.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Se a gente recuperar esse pasto degradado, a gente vai ter quase que a mesma quantidade de terra que a gente produz hoje. Então não precisa invadir a Amazônia. A Amazônia pode significar um patrimônio pra humanidade se a gente souber trabalhar corretamente. Uma árvore de pé pode render mais do que uma árvore derrubada.

    [Ratinho]: Mas, Lula, você concorda que no seu governo também invadiram, também queimaram? E que a mídia não falava porra nenhuma?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Falava, falava.

    [Ratinho]: Não falava. Da forma que falam hoje, não.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Quando eu cheguei na presidência se queimava 27 mil quilômetros, nós derrubamos para quatro. Nós fomos na COP 15, em 2009, o encontro ambiental que houve para discutir clima em Kopenhagen, e nós assumimos o compromisso em lei de derrubar o desmatamento em 90 e 80% e cumprimos. E mais ainda, nós aprovamos reduzir a emissão de gases de efeito estufa em 39,6%, e nós cumprimos.

    Deixa eu contar uma coisa, Ratinho. Você é novo. Você vai viver ainda uns 50 anos.

    [Ratinho]: Fala tua idade, Lula. Tô te chamando de presidente porque eu estava acostumado, viu, presidente?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Deixa eu lhe falar uma coisa: a força que esse país tem na questão do clima é tão poderosa que a gente pode fazer da preservação dos nossos biomas uma forma de enriquecimento do Brasil. A gente tem uma agricultura de baixo carbono, é uma riqueza pro Brasil, ninguém precisa poluir! Você não precisa criar gado em milhares de hectares, você pode criar uma parte do seu gado confinado. Pode até colocar uma musiquinha como o japonês coloca lá, uma sinfonia de Beethoven pra você comer aquela picanha de 1.200 o quilo que o Bolsonaro comeu lá no palácio dele. Você pode.

    Mas não precisa derrubar, não precisa plantar soja no Pantanal, não precisa plantar cana no Pantanal. Não precisa, sabe? Esse país pode ser melhor cuidado, cara. E sabe de uma coisa? A gente não tem que ficar xingando, a gente tem que chamar os prefeitos.

    [Ratinho]: Isso que eu ia perguntar.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: E conversar com os prefeitos.

    [Ratinho]: Muitos governadores vão ganhar a eleição não estão do teu lado, como é que vai fazer pra chamar todo mundo pro tapa de novo?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Ninguém sabe conversar com governador como eu. Eu converso com todo mundo, eu não quero saber a que partido a pessoa é. Se você fosse candidato…

    [Ratinho]: E eu tenho jeito.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Se você fosse candidato, eu iria conversar com você com o mesmo respeito que eu converso com alguém do PT. Sabe o que acontece? Eu respeito as pessoas, não é a pessoa individual, não é o cidadão governador. Para mim, não tem nenhum problema reunir com prefeitos e governadores.

    Um compromisso que eu vou fazer, se eu ganhar as eleições, na primeira semana, eu vou chamar os 27 governadores para a gente repactuar o ente federativo e pra que a gente possa ver em cada estado as três principais obras que cada estado tem para a gente compartilhar a construção dessas estradas.

    É isso que eu vou fazer. Eu quero paz e amor. O Lulinha paz e amor voltou com força total.

    [Ratinho]: Quero fazer uma pergunta muito pessoal. Quando você está fazendo aquelas… eu posso falar o que quiser com o Lula porque eu me dou muito bem com o Lula há muitos anos, politicamente, às vezes, a gente está de um lado ou do outro, mas sempre nos demos muito bem. Mas entrevistei todos os candidatos a presidente aqui, entrevistei todos os presidentes desde Fernando Henrique pra cá, todos, inclusive a Dilma que não gostava de…

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Aliás, eu vou lhe contar uma história que você não sabe. Você foi na Granja do Torto, levou o Bruno e Marrone para conhecer. E por conta daquilo, eu tive uma entrevista com o Jô Soares, ele brigou comigo porque você chegou primeiro, sabe? E nunca mais me convidou para o programa dele, coitado.

    [Ratinho]: Quero saber uma coisa. Lula, aquela garrafinha, é água que tem lá? Ou tem uma cachaça?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Qual garrafinha?

    [Ratinho]: Aquela que você faz comício, que eu vejo você tomando.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Não, aquilo é água. É água. É água.

    [Ratinho]: Se você quiser uma cachaça…

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Deixa eu contar, eu estou com a garganta, fazendo tratamento com fonoaudiólogo, porque estou fazendo muito comício, a minha voz está ficando… hoje, ela está boa. Mas eu gosto de uma cachacinha.

    [Ratinho]: Sim. Eu ia perguntar…

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Nós já tomamos juntos na sua casa lá, no Alto da Lapa.

    [Ratinho]: Por isso que estou perguntando.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Aonde eu comi a melhor rabada.

    [Ratinho]: Muito bem. Olha aqui, você vai… eu vou fazer uma pergunta que eu acho que o povo quer saber. Casa? Nós vamos fazer casa popular para o povo?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Vamos. Nós vamos retomar o Programa Minha Casa Minha Vida. Sabe por quê? O Bolsonaro acabou com o Minha Casa Minha Vida e criou a Casa Verde e Amarela.

    [Ratinho]: É a mesma coisa.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Mas não construiu porra nenhuma. O cara só falou.

    [Ratinho]: Mas ele pegou uma pandemia, vamos falar a verdade.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Eu vi você falar com ele sobre isso. Deixa eu lhe falar uma coisa.

    [Ratinho]: Dois anos não é brincadeira, não.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Eu quero construir casa para o povo pintar do jeito que ele quiser, verde, amarela, azul, branca; até vermelha eu quero que o povo pinte. Você constrói a casa e deixa o cara pintar do jeito que quer. Quer inventar: carteira verde e amarela, casa verde e amarela. Porra. Deixa o povo escolher a cor, pelo menos o direito de escolher a cor.

    [Ratinho]: Mas a Casa Verde e Amarela vem com a cor verde e amarela? Não.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Deixa eu lhe falar uma história, eu nunca disse que o Bolsonaro era responsável pela pandemia. A pandemia foi um fenômeno da natureza. Foi uma revolta da natureza contra o desmanche que nós, seres humanos, estamos tendo com relação ao planeta.

    O que o Bolsonaro cometeu de errado? O Bolsonaro, você sabe que ele é meio ignorantão, ele é meio chucro. Ele até falou para você que ele é meio chucro, fala palavrão. Ele poderia ter montado um comitê de crise, ele poderia ter ouvido a Saúde, ele poderia ter ouvido o Conselho Mundial de Saúde, ele poderia ter montado um conselho de crise com os principais secretários de Saúde dos estados brasileiros e poderia ter comprado a vacina na hora certa. Ele ficou brincando, ele ficou tripudiando…

    [Ratinho]: Mas tinha vacina?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Lógico que tinha!

    [Ratinho]: Eu perguntei para ele, ele falou que não tinha vacina.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: O Brasil foi um dos primeiros países a receber oferta de vacina. Ele não comprou porque ele não acreditava na vacina no começo, Ratinho! Ele fazia? ele zombava da pandemia, ele brincava. É uma estupidez de alguém que é um pouco ignorante. É o que ele é mesmo, um pouco ignorante. Aquele jeitão bruto dele, aquele jeitão de capiau lá do interior de São Paulo, sabe? Aquele capiau de revista, bem duro. Porque tem gente que acha que ser ignorante é bonito, e não é. O que é bonito é você ser educado, você ser um cara refinado, como eu.

    [Ratinho]: Você é refinado?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Falar com você tranquilo.

    [Ratinho]: Desse ponto, você encanta.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Eu comia rabada com você e não limpava a boca na toalha, usava guardanapo. Então deixa eu te falar uma coisa, o Bolsonaro…

    [Ratinho]: Ele (Lula) queria tomar um vinho bom, peguei um vinho bom, mas o copo era aquele de massa de tomate.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Na questão da pandemia, o Bolsonaro errou no tratamento que ele fez. Errou, lamentavelmente. A gente poderia ter diminuído em 300, 400 mil mortes nesse país se a gente tivesse feito a coisa certa e dividido responsabilidade.

    Ele passou a brigar com os governadores. Passou a brigar, a xingar. Quando aquele cara estava morrendo afogado fora da água, ele ficou zombando, sabe? É louvável ele ir agora visitar o túmulo da rainha da Inglaterra. É louvável, mas ele poderia ter visitado uma criança que morreu de covid, uma família que perdeu a família inteira. Ele poderia ter visitado. Ele poderia ter derramado uma lagriminha no canto dos olhos assim com as quase 700 mil pessoas que morreram.

    [Ratinho]: Você acha que ele foi bruto nisso?

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Bruto, eu digo, ignorante. A palavra correta é ignorante. Bruto é palavra ofensiva. É ignorante. O cara é chucrão.

    [Ratinho]: Muita gente está deixando de votar no Bolsonaro por causa do jeito dele, e ele sabe.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: E vai votar porque sabe que eu sou melhor do que ele para cuidar do povo. O povo sabe que eu sou melhor. O povo sabe que eu fui o melhor presidente da República deste país porque cuidei do povo. A palavra correta não é governar, é cuidar do povo.

    [Ratinho]: Olha, eu quero deixar bem claro para todo mundo que está nos assistindo aqui que eu tratei todos os candidatos da mesma forma, que é isso que a lei me permite. Eu não tenho que ficar puxando o saco de candidato e não tenho que bater em candidato nenhum. Não é minha obrigação nem puxar o saco, nem bater, mas mostrar o que o candidato vai fazer caso seja eleito.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Quero prestar o meu testemunho. Eu assisti à sua entrevista com a Simone, assisti com o Ciro e assisti com o Bolsonaro, e você foi respeitoso com todos eles.

    [Ratinho]: Tem que ser.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: É assim que tem que ser. Por isso que você é o Ratinho.

    [Ratinho]: Olha, eu queria te agradecer bastante. Você vai ter mais um minuto para você falar o que você quiser, aqui, para dizer que o nosso programa é assim, é um quadro para bater papo, né? Não é para? É para saber como é que está a cabeça do candidato, enfim, você tem um minuto para você falar.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: A única coisa que eu queria dizer, Ratinho, é o seguinte, faltam poucos dias para as eleições. Pouco menos de dez dias para as eleições, em que eu queria que você comparecesse, você que acha que vai se abster, você acha que não gosta de ninguém, por favor, vá para a urna, vote, escolha quem você acreditar que vai consertar esse país, mas vote. Para você ter o direito de reclamar, para você ter o direito de xingar, para você ter o direito de cobrar. Se você não for votar, você não vai poder cobrar nada de ninguém.

    Então, veja, é importante que você assuma a responsabilidade. Este Brasil será da qualidade que você quiser, do tamanho que você quiser, ele vai ser tão bom quanto você quiser. Por isso, no dia 02 de outubro, compareça às urnas e deposite amor, esperança, e não ódio naquela urna.

    [Ratinho]: Muito bem, assim, nós encerramos a série “Ratinho com os candidatos”, e muito obrigado a você. Desculpe por ter incomodado nesse horário depois do jornal. E a gente volta com o nosso programa ao normal. Um abraço, gente. Obrigado, presidente.

    [Luiz Inácio Lula da Silva]: Abraço, querido.

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