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    O rastro de sangue do general José Williams, novo presidente do Congresso no Peru

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    O “Operativo” nesta circunstância foi o subtenente Thelmo Hurtado; mas o Chefe dos “Lince” era José Williams Zapata.

    O caso comoveu o país e remexeu inclusive a flamante Célula Parlamentar Aprista. Javier Valle Riestra denunciou os fatos, e prometeu sanções. Mas elas não chegaram. Os familiares das vítimas clamaram por justiça, porém mais rápido que a justiça chegou a impunidade. 

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    O tema perdurou e inclusive até há pouco tempo: em maio de 2018, o Juiz Walter Castillo Yataco ordenou a detenção de Williams e 28 militares comprometidos. Tampouco prosperou a iniciativa. Mãos poderosas torceram a ação da lei e “o caso” foi arquivado. 

    É que já nessa época o general aludido era um Herói Nacional. Havia sido o Chefe Suprema do Batalhão que liberou os reféns da residência nipônica em abril de 97, na “Operação Chavín de Huántar”.

    Como se recorda, ali agiram 140 comandos de elite que submeteram e aniquilaram a 14 precoces combatentes do MRTA, entre eles duas moças, uma das quais estava grávida. Depois se comprovaria que houve capturados com vida e executados depois.  

    Integrando as hostes militares nessa circunstância, operou um Comando Especial clandestino ideado pelo Serviço de Inteligência Nacional – o SIN – denominado “Os Nazistas”, que agiu certamente com conhecimento do Chefe da Operação, o hoje Presidente do Congresso da República.

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    Para as eleições de 2021, Hernando de Soto, impudicamente usou uma “barriga de aluguel” – “Avança País” registrado pelo defunto Pedro Cenas. Como não tinha partido, nem registro eleitoral, se valeu da consigna aludida e favoreceu a alguns, entre eles José Williams, que fora eleito para a função que hoje desempenha. 

    Pareceria que o General-Parlamentar esqueceu o patriotismo, a dignidade nacional e a soberania. Ficou calado no fórum quando D. Hernando informou ao país que ia a Washington pedir ao Departamento de Estado ianque uma intervenção militar para enfrentar o “governo comunista de Castillo”. Pareceria que Williams viu os marines desembarcando e aplaudiu. 

    Isso explica que, adicionalmente, subscrevesse a “Carta de Madri”, documento elaborado pelo VOX, o Partido neonazista de Abascal, na Espanha, que apela a “fechar a passagem” ao Foro de São Paulo e o Socialismo do século XXI. Também o firmou Keiko e, como não, o ex-chanceler Tudela, preciosa jóia da canteira fujimorista. 

    No último dia 15, ao ser debatida a “licença” para que o Chefe de Estado concorresse à Assembleia Geral das Nações Unidas, os parlamentares da “maioria” ladraram à vontade com o mesmo entusiasmo que Philip Butters e Aldo M., sem argumentos nem razões.

    Clamaram aos céus para que caísse Castillo. E no extremo da sua ira, celebraram que a Lady Camones fosse dado um “prêmio consolo”: a Presidência da Comissão que verá as acusações contra Castillo e Dina Boluarte. Assim, haverão de ladrar melhor. 

    Ladrará agora este general metido em seu labirinto? Vamos ver.

    Gustavo Espinoza M., colaborador da Diálogos do Sul em Lima, Peru.
    Tradução: Beatriz Cannabrava.


    As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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