Afropunk é quilombo moderno onde pretos podem ser quem são – 24/11/2022 – Guia Preto
ENTRETENIMENTO

Afropunk é quilombo moderno onde pretos podem ser quem são – 24/11/2022 – Guia Preto


O que os pretos fariam se não tivessem que se preocupar com o racismo? Desfilariam com roupas dignas do reino de Wakanda, sorririam uns para os outros, dançariam, conectariam-se com novas referências, sem olvidar da ancestralidade vinda da diáspora africana. Neste termo de semana (25 e 26), depois de um longa espera, o Afropunk Bahia vai sobrevir em sua plenitude, transformando-se num quilombo ambulante e do horizonte, onde cada jovem preto ou preta pode ser mais um, sem pavor de ser quem é, viabilizando toda a sua potência.

O festival começou no Brooklin, em Novidade York, a partir de um documentário de 2003 dirigido por James Spooner, que conta a história de quatro afro-americanos que viviam o punk rock lifestyle no início dos anos 2000. Depois disso o festival teve edições em Atlanta, Paris, Londres e Johanesburgo. O namoro com o Brasil é de longa data, com interesse de ambas as partes. Em 2019, fui um dos organizadores de um jantar em São Paulo que reunia a comunidade afropunker brasileira. Naquele momento a preocupação era justamente se negros e negras brasileiras comprariam a teoria de um festival que, para além de música, reúne voga, empreendedorismo e talks sobre os temas mais urgentes e diversos.

Uma sarau na Audio no mesmo 2019 lançou o festival, que garantiu ainda presença no Carnaval 2020 de Salvador em que reuniu Mano Brown, Afrocidade, Ilê Aiyê, Baiana System, Muzenza, entre outros. Com a pandemia, o festival criou uma versão do dedo em 2020. Em 2021, num primeiro resfriamento do coronavírus, o Afropunk Bahia estreou numa versão para tapume de 3 milénio pessoas no Meio de Convenções. O formato com feats entre cantoras uma vez que Luedji Luna, Margareth Menezes, Tássia Reis, pôr-do-sol e gente preta estilosa agradou.

Mesmo com longa estrada, não foi fácil atrair marcas para um evento fora do eixo Rio-São Paulo. As empresas consideravam o festival uma vez que ação regional. Até vir a TV Orbe que vai transmitir os melhores momentos em TV oportunidade e prometer a visibilidade merecida. Entre as atrações de 2022 estão Ludmilla, Masego, Emicida, Liniker, Psirico, Senhora do Pagode, entre outros, firmando o festival no calendário de grandes eventos do ano. São esperadas 20 milénio pessoas e, nesse momento, há dezenas de grupos no Whatsapp que aquilombam jovens de várias partes do país que estarão no festival. A movimentação econômica é grande: lojas de roupa, de acessórios, restaurantes, hospedagem, outras festas e tours ligados a história e cultura negra estão bombando na capital baiana.

Em resumo, o Afropunk é um grande encontro de uma comunidade, com atitude, sabor por voga e música boa. É preciso lembrar que pessoas negras curtindo a vida juntas ainda é alguma coisa injurioso e o festival é, portanto, uma militância futurista, que parece reunida só para ver shows, mas celebra a existência, a história e a potência do povo preto. O extravasamento estético vai para além do impacto visual, possibilitando que uma comunidade inteira possa sentir-se incrível e potente e que todos nós queiramos estar na mesma roda. Neste termo de semana todas as pessoas pretas serão afropunkers.


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