Betinho foi um por milhões – 11/11/2022 – Papo de Responsa
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Betinho foi um por milhões – 11/11/2022 – Papo de Responsa



O sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, completaria 87 anos nesse mês de novembro. Não viveu para ver o combate à lazeira virar política pública de referência mundial, que tirou o Brasil do Planta da Lazeira em 2014.

Também não viu a rapidez com que voltamos a esse mesmo Planta, sendo agora 33 milhões de brasileiros que muitas vezes precisam se nutrir com carcaças e sobras de comida para sobreviver.

Uma vez que seu rebento, queria muito poder lhe proferir que o recta imprescindível à sustento desses 15% da população voltará a ser prioridade a partir de 2023.

A maior qualidade de Betinho era ser ponte de diálogo entre opiniões divergentes. Entendeu porquê ninguém que ou o enfrentamento à miséria era um problema de todos ou não teria solução.

Depois de quase 30 anos, a Ação da Cidadania reafirma a preço dos 125 milhões de brasileiros em instabilidade nutrir serem, também, um problema de todos.

Mas em vez disso, temos perpetuado um ciclo perverso contra a população mais pobre, alternando vontade política com uma indiferença obsceno e cruel, que aprofunda a desigualdade social e nos distancia da origem do que é a democracia.

Neste ano mobilizamos o país com as campanhas SOS Enchentes Brasil, Brasil sem Lazeira, Pacto pelos 15% com Lazeira e o Natal sem Lazeira. Realizamos o Encontro Pátrio contra a Lazeira para discutir suas causas, consequências e soluções, e distribuímos milhares de toneladas de comida nacionalmente.

Mas, apesar de todo o esforço da sociedade social, os dados revelados pela pesquisa da Rede Penssan só confirmaram o óbvio: sem políticas públicas robustas, estamos chicoteando o mar. Um mar de famintos.

Betinho foi vítima dessa mesma falta de política pública há 25 anos, quando a comercialização do sangue contaminou milhares de brasileiros com o vírus da Aids, incluindo ele e seus irmãos Henfil e Chico Mário.

Se agora a Lei Betinho impede que um ato de solidariedade, porquê a doação de sangue, seja vendido, quantos morreram até a sua promulgação, em 2001?

Ele nasceu hemofílico, teve tuberculose, enfrentou o exílio e a ditadura. Quando voltou para o Brasil foi infectado pela Aids numa transfusão de sangue.

Betinho teria todos os motivos para não fazer zero a não ser cuidar da sua frágil saúde, mas resolveu mobilizar a sociedade pelas causas que hoje são mais atuais do que nunca: lazeira, democracia, reforma agrária, direitos humanos e, principalmente, solidariedade.

Meu pai nunca reclamou dos infinitos obstáculos que a vida lhe impôs. Só detestava uma coisa: de quem ficava reclamando da vida, e nós não temos esse recta.

Está no ar um sentimento de esperança para todos os que tem lazeira de uma cidadania ampla, universal e irrestrita. Aquela que não deixa nenhum brasílico para trás.


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