‘Brasil perdeu o controle sobre o desmatamento’, diz ex-ministra do Meio Envolvente – 18/11/2022
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‘Brasil perdeu o controle sobre o desmatamento’, diz ex-ministra do Meio Envolvente – 18/11/2022


Izabella Teixeira, um dos nomes cotados para assumir ministério no horizonte governo Lula, diz que hoje o delito ambiental recebe ‘investimentos milionários’. Ela está em Sharm El-Sheikh, no Egito, para participar da COP27, a cúpula das Nações Unidas sobre mudanças climáticas.

Para Izabella Teixeira, o combate ao desmatamento na Amazônia durante os próximos anos será muito multíplice e exigirá que o tema seja encarado uma vez que “prioridade zero” no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Ministra do Meio Envolvente entre 2010 e 2016, durante os governos Lula e Dilma, a bióloga foi a responsável por conduzir as políticas públicas que diminuíram a devastação da maior floresta tropical do mundo aos menores patamares da história.

Atualmente, ela é uma das líderes do Pintura Internacional de Recursos do Programa de Meio Envolvente das Nações Unidas (ONU) e está entre as principais cotadas para assumir de novo o ministério a partir de 2023.

Teixeira participa ativamente das negociações e encontros que ocorrem na Conferência de Mudanças Climáticas da ONU (COP27), que acontece em Sharm El-Sheikh, no Egito.

Em entrevista à BBC News Brasil, ela apontou quais serão os principais desafios para o país entender o desmatamento zero ? meta citada por Lula no oração da vitória ? e os caminhos para reduzir a emissão de gases do efeito estufa em Estados e municípios.

Um problema do tamanho da Amazônia

Teixeira avalia que “o atual governo brasílico deixa uma vez que legado o retrocesso de uma política que foi muito sucedida para o Brasil e para o mundo”. “Na minha leitura, o Brasil perdeu o controle sobre o desmatamento”, diz.

“Nosso país sempre teve a tradição de anunciar na COP quais foram as taxas de desmatamento do ano. E, uma vez que aconteceu nas edições recentes, esse oferecido foi novamente postergado no evento de 2022”, informa.

Em 2021, o Brasil registrou a pior taxa de desmatamento na Amazônia em 15 anos. Já as emissões de gases poluentes bateram no ano pretérito recorde de 16 anos. Na avaliação da ex-ministra, “combater o desmatamento hoje é muito multíplice”.

“Isso acontece porque o delito ambiental está em outro patamar de organização”, constata. A bióloga diz que existe uma espécie de “árvore do delito” que atua na região.

“Sob esse guarda-chuva, há o tráfico de fauna, de armas, de drogas, de madeira, o mina ilícito, a lavagem de verba da depravação…”, lista.

Ela lembra que, atualmente, o financiamento de todas essas atividades ilegais está fora da Amazônia. “O mina não é mais aquela iniciativa de uma pessoa, que ia lá com os próprios equipamentos. São investimentos milionários”, observa.

“E isso tudo aumenta a violência contra os povos tradicionais. Se você cruzar os dados, as maiores taxas de homicídio na Amazônia são justamente nos lugares com as maiores taxas de desmatamento”, compara.

Uma vez que resolver a situação?

Teixeira vê com bons olhos as promessas de Lula de que o tema ambiental será prioridade a partir de 2023. Ela também acredita que será necessário muita eficiência e organização dos serviços públicos de fiscalização e combate ao delito.

“Enfrentar o desmatamento é alguma coisa que precisa encetar no primeiro dia de governo”, crê. “E nós somos capazes disso, porque no pretérito tivemos políticas bem-sucedidas e as menores taxas de desmatamento na Amazônia.”

Mas a bióloga acredita que as estratégias usadas há 10 anos não serão suficientes para mourejar com o problema agora. “A maneira de vistoriar já mudou consideravelmente, temos novas tecnologias. Podemos adotar no país estratégias eficientes para voltar a reduzir os números de desmatamento”, sugere.

Segundo a perito, será importante alinhar as políticas com Estados e municípios ? outrossim, a participação da sociedade e dos cidadãos será fundamental.

“Muro de 75% da mesocarpo vermelha produzida no Brasil fica no mercado interno. Se o próprio consumidor encetar a rejeitar aquele resultado que vem de áreas de desmatamento, você já começa a mudar a verdade”, acredita.

“Ou seja, precisamos de uma visão mais ampla de uma vez que enfrentar essa questão. O comando das ações deve ser das instituições, evidente, mas há também o papel de mercado, do setor produtivo e até mesmo do consumidor.”

“Será necessário que todos os brasileiros estejam comprometidos com a teoria do desmatamento zero.”

Pedras no sapato

Embora os anos de Lula na presidência tenham sido marcados por quedas na taxa de desmatamento, o governo dele também investiu bastante na exploração de combustíveis fósseis, uma vez que o petróleo no Pré-Sal, e em grandes obras de infraestrutura, uma vez que a usina de Belo Monte.

Atualmente, iniciativas do tipo seriam, no mínimo, controversas ? inundar grandes áreas da floresta e estimular a produção de combustíveis que liberam mais gases do efeito estufa na atmosfera são políticas que estão em totalidade desleixo com o combate das mudanças climáticas.

Teixeira entende que o Brasil “tem alternativas para a geração de pujança” que são menos danosas ao planeta. Ela cita uma vez que exemplo a biomassa e os biocombustíveis. “Esses são caminhos que, no meu entendimento, o país pode e deve adotar”, opina.

Ela também admite que será necessária uma “discussão estratégica” para “organizar a substituição de combustíveis fosséis”. “O que eu posso asseverar é que o Brasil tem um papel chave nesse contexto. Nós temos soluções e não podemos nos apequenar diante desse repto e desse compromisso com a sociedade.”

Segundo a perito, “o governo terá que fazer escolhas” que aliem a segurança energética, a segurança nutrir, as finanças, o desenvolvimento e as mudanças climáticas.

Mas Teixeira acredita que há certos recursos energéticos sobre os quais não há incerteza: eles já deveriam estar no pretérito. “Não há porque um país com tantas fontes ainda ter carvão em sua matriz energética”, lamenta.

“Nós temos tecnologias sob nosso domínio, o que falta é vontade política. Acho que chegou a hora de tomar as decisões que nos permitam prosseguir numa agenda de baixas emissões de carbono.”

Ela também vê uma vez que prioridade desenvolver caminhos para que o país não volte a dar passos para trás na superfície ambiental durante os governos futuros.

“Quaisquer que sejam as decisões que tomemos, elas devem ser orientadas para não permitir mais retrocessos”, conclui.

– Leste texto foi publicado originalmente em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63679066



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