Em prol e contra Lula, brasileiros voltam a ocupar as ruas de Lisboa – 18/11/2022
POLÍTICA

Em prol e contra Lula, brasileiros voltam a ocupar as ruas de Lisboa – 18/11/2022


Com cartazes, bandeiras e um bom repertório de gritos de guerra, grupos de espeque e contrários ao presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se concentraram em frente ao Palácio de Belém, em Lisboa, onde o político brasiliano foi recebido na tarde desta sexta-feira (18) pelo presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa.

Na hora ninguém viu Lula, que entrou com sua comitiva em carros escuros, mas a chegada do presidente eleito foi uma oportunidade para cada grupo expor suas preferências publicamente nas ruas da capital lusitana.

O palácio fica em uma região bastante turística, próximo a pontos de transporte público. A polícia fez cordões de isolamento para evitar conflitos e desviar o fluxo de pessoas que passavam pelo sítio. A cena lembrava bastante o que aconteceu durante primeiro e segundo turnos das eleições brasileiras.

Nos últimos meses, as ruas da cidade portuguesa viraram palco de protestos de eleitores bolsonaristas, coincidindo com a data de protestos convocados pelo presidente no Brasil, uma vez que no 7 de setembro. Quem votou em Lula deixou para os dias do pleito o uso de bandeiras e camisetas vermelhas. Em Portugal votaram 37.501 eleitores no 2º vez. Lula teve 64% dos votos.

Ao lado recta do palácio, o grupo vestindo virente e amarelo se recusava a ser classificado uma vez que “bolsonarista” ou “em prol de Bolsonaro”. Seus integrantes se negaram a dar entrevista. Da mídia brasileira, só falariam com a Jovem Pan, disse uma manifestante que não quis se identificar, mas que parecia ser uma das líderes da claque anti-Lula. Os gritos do grupo se resumiam a ofensas ao presidente eleito, ao STF (Supremo Tribunal Federalista), além de pedidos de ajuda às Forças Armadas.

Brasileiros contrários à vitória de Lula protestam na frente do Palácio de Belém, em Lisboa - Luciana Alvarez/UOL - Luciana Alvarez/UOL

Brasileiros contrários à vitória de Lula protestam na frente do Palácio de Belém, em Lisboa

Imagem: Luciana Alvarez/UOL

À esquerda do prédio, um grupo de vermelho com algumas bandeiras do Brasil cantava e gritava em espeque a Lula. Muitos sabiam que era improvável ver o presidente eleito, mas fizeram questão de ir para mostrar espeque. No sábado pela manhã (19), Lula se reúne com grupos de esquerda da comunidade brasileira em Portugal.

Houve breves momentos de confusão, uma vez que quando o estudante Bernardo Mussio, 18, passou pelo meio do grupo de virente e amarelo. “Sai da estação [de trem], vim caminhando e, quando vi, estava no meio deles. Na minha bolsa tinha uma bandeira do Brasil, que na hora puxei para fora, mas alguém viu que eu tinha um broche do PT”, contou. Ao ser hostilizado verbalmente, começou a gritar “perderam!” e teve o cabelo puxado. Um policial logo interveio, levando-o para o grupo à esquerda.

Bernardo Mussio, 18, teve de passar pelo grupo contrário a Lula e foi agredido quando o identificaram como eleitor petista - Luciana Alvarez/UOL - Luciana Alvarez/UOL

Bernardo Mussio, 18, teve de passar pelo grupo contrário a Lula e foi agredido quando o identificaram uma vez que votante petista

Imagem: Luciana Alvarez/UOL

Mesmo com o pequeno susto, Bernardo estava feliz de participar da sintoma. “Até queria ver o Lula, mas vim mais para simbolizar o verdadeiro sentimento do povo brasiliano, que é de esperança. Hoje buscando a força de Gal Costa, que apoiou Lula até o termo”, disse.

Nem todos os brasileiros no sítio, todavia, estiveram ali para tutelar um dos lados. Alguns pararam mesmo no meio, por curiosidade, para presenciar e postar nas redes sociais. “Trabalho cá perto, passei de moto, vi a movimentação e quis ver. Começou muito pacífico, mas depois esquentaram os ânimos”, afirmou Kalleby Maciel, 26, entregador por aplicativo. Apesar da curiosidade, disse que teria de ir embora logo, porque ia debutar a hora dos pedidos do jantar.

Kalleby Maciel (de jaqueta do Exército), entregador por aplicativo, parou para ver os grupos protestando em Lisboa - Luciana Alvarez/UOL - Luciana Alvarez/UOL

Kalleby Maciel (de jaqueta do Tropa), entregador por aplicativo, parou para ver os grupos protestando em Lisboa

Imagem: Luciana Alvarez/UOL

Ainda que estivesse se divertindo, acredita que a “bagunça” atrapalha a reputação dos imigrantes brasileiros. “Acaba reforçando a imagem de que os brasileiros são meio selvagens.” Ele não votou.

E houve ainda quem tenha se compungido de ter gritado. Jaine, 30, não quis ser fotografada nem dar o sobrenome porque tem pavor de perseguição, pelo traje de ser cristã evangélica. Depois de uma hora protestando no meio do grupo virente e amarelo, afastou-se.

“Ele [Lula] errou, mas todos nós somos pecadores. É uma vez que na passagem da Bíblia, em que Jesus fala que se ninguém tiver inexacto, que atire a primeira pedra. O Espírito Santo veio uma vez que uma flecha no meu coração, me dizendo que a gente tem que amar a vida do próximo. Essa sintoma está causando ódio”, disse.

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