Pantanal é melhor lugar do mundo para divisar onça-pintada – 16/11/2022 – Turismo
ENTRETENIMENTO

Pantanal é melhor lugar do mundo para divisar onça-pintada – 16/11/2022 – Turismo


Seja em Guimarães Rosa, Monteiro Lobato ou Benedito Ruy Barbosa, a onça-pintada —maior felino das Américas e terceiro do mundo detrás do leão e do tigre— é destaque na literatura brasileira há décadas. Milhares de turistas brasileiros e estrangeiros visitam o Pantanal detrás de suas pegadas, fincando a maior planície alagável do mundo no planta dos principais safáris fotográficos.

Das páginas dos livros, a onça-pintada saltou para as redes sociais.

Maior planície alagada do planeta, o Pantanal desponta porquê o lugar mais propício do mundo para divisar a onça-pintada, apesar de a região não ter a maior população do felino —levante título é da região Amazônica, mas sua floresta dificulta a reparo do bicho.

Em Mato Grosso, Porto Jofre se destaca porquê uma das áreas com maior densidade do felino no planeta, e com mais de 300 animais já catalogados por especialistas.

Quem flagrar uma onça nunca observada antes ainda tem a chance de, confirmado o avistamento inédito, batizar o bicho. Todas elas têm manchas diferentes umas das outras —ou seja, suas pintas são porquê as digitais humanas e as diferenciam, ainda que a intervalo pareçam iguais.

Estima-se que o turismo da onça, que em 2015 movimentava US$ 7 milhões anuais para a região de Porto Jofre, tenha superado US$ 10 milhões nesse ano, com uma oferta de leitos 40% maior que antes da pandemia.

Quem faz os cálculos é o pesquisador Fernando Tortato, da Universidade Federalista de Mato Grosso do Sul e da ONG Panthera. Hoje, são mais de 15 pousadas, sem relatar as ofertas turísticas em Mato Grosso do Sul. Há dez anos, não chegavam a cinco.

“Isso contribui para a preservação”, diz Tortato.

Para chegar a Porto Jofre, em Mato Grosso, há duas opções. Na primeira, o turista pode convencionar já na ida, com uma escritório de turismo ou com a pousada em que vai se hospedar, o transporte para chegar ao lugar de estadia.

Na outra, a sugestão é reservar antemão um sege 4×4 ou um utilitário esportivo. Neste caso, é fundamental completar o tanque no posto de gasolina em Poconé, pouco antes do início da Transpantaneira.

A rodovia, de quem nome solene é MT-060, tem pouco mais de 140 quilômetros de extensão de terreno e dezenas de pontes, em sua grande maioria feitas de madeira. Por isso, é uma estrada que exige que a viagem seja feita à luz do dia, com calma (para fotografar) e zelo reduplicado.

Também é recomendável comprar bolachas e bebidas antes, em Cuiabá, já que ao volta da Transpantaneira não existe negócio, somente o oferecido pelas pousadas locais (zelo também para não perder o carregador de celular ao parar em uma das pontes para tirar fotos, porquê fez levante repórter).

Toda a dificuldade é recompensada pela venustidade da paisagem, pelos tuiuiús, tucanos, araras, jacarés, emas e tatus que andam à solta pelas fazendas ao volta.

A temporada mais propícia para a visitante é a da seca, que ocorre entre maio e novembro, por conta da estrada e das condições para participar dos passeios ao ar livre. Ainda que não seja inverno, é preciso se agasalhar —faz indiferente no Pantanal no início dos dias.

Durante a estiagem é mais fácil divisar os animais e encruzar as estradas de terreno. A maioria das hospedagens oferece pacotes de três noites de estadia.

E, não, não é muito tempo para permanecer por lá: quanto mais dias o turista passa hospedado, mais crescem as chances de avistamento de onças, porque serão feitos mais passeios. Aliás, o Pantanal é uma das regiões mais bonitas do Brasil. Presenciar à revoada de pássaros no amanhecer ou ao entardecer à cercadura de um dos rios que cortam a região vale a pena, ainda mais sem impaciência.

Há dezenas de opções de estadia ao longo da Transpantaneira, que se inicia em Poconé e se estende até Porto Jofre, mas, porquê a estrada já é uma proeza, quanto mais perto de Porto Jofre, mais fácil fica passear. Isso é importante principalmente em viagens com crianças.

A maior população de onças está no parque estadual Encontro das Águas. Para divisar os felinos, as pousadas oferecem passeios de barcos pelos corixos (pequenos trechos fluviais) ao volta do parque. Os passeios podem porfiar de quatro horas a oito horas, e são iniciados geralmente quando o dia amanhece.

É bom também checar se nas embarcações há remos e rádio, porque os passeios são feitos em locais ermos —o socorro pode demorar a vir, caso necessário.

Os pequenos barcos, que podem acomodar de seis a 15 passageiros, são pilotados, geralmente, por guias com rádios, que ficam trocando informações se há qualquer lugar em que se avistaram onças. Quando a informação chega, os barcos rumam até lá.

Em alguns momentos, mais de dez embarcações se posicionam a alguns metros de intervalo de uma das onças que ali habitam. Ouvem-se os flashes de câmeras. Com sorte, é provável ver uma onça caçando ou com filhotes.

O passeio também pode presentear os viajantes com ariranhas, capivaras e uma ampla variedade de aves. “Cada vez mais, estrangeiros e brasileiros estão visitando [o local]”, diz o fotógrafo e guia Henrique Olsen.

A presença de possivelmente centena de turistas em torno de uma onça-pintada, durante os avistamentos, tem despertado indagações sobre o impacto do turismo à espécie. Com base em dados geográficos de cinco onças que usam colares de monitoramento, Fernando Tortato avalia que a espaço em que elas são fotografadas constitui somente 20% do território que elas cobrem.

Os animais já estariam habituados, ele acredita. Mas há desafios pela frente para o ecoturismo. Recente, um estudo apontou que quase metade da população de onças-pintadas do Pantanal foi afetada diretamente pelos incêndios que devastaram a região em 2020.

No Pantanal de Mato Grosso, outra região em destaque é a de Cáceres, com destaque para a reservada estação ecológica Taiamã. Estudos preliminares apontam que a densidade de onças ali pode ser ainda maior que a de Porto —o aproximação, no entanto, pode ser provocador. Uma opção é permanecer em um hotel em Cáceres, e de lá convencionar um passeio de embarcação até a estação.

Mas o avistamento da onça não está somente em Mato Grosso. A região de Aquidauana e Miranda, no Mato Grosso do Sul, oferece um outro lado do Pantanal, com passeios terrestres porquê os do refúgio ecológico Caiman, que tem uma parceria com a Onçafari há mais de uma dezena.

A iniciativa pioneira promove a conservação no Pantanal por meio de safáris fotográficos junto de onças que passaram por um longo período de habituação com os humanos. Desta forma, os animais não perdem suas características selvagens, mas deixam de enxergar os veículos porquê prenúncio.

A maioria dos passeios é feita em carros de médio porte, com uma segmento das onças sendo monitorada por colares para que os pesquisadores possam ter mais dados sobre suas atividades. “É porquê se fosse um laboratório destapado”, compara Roberto Klabin, proprietário da Caiman.

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