Quem ia a Miami aprendeu a viajar no Brasil, diz CEO da Atlantica
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Quem ia a Miami aprendeu a viajar no Brasil, diz CEO da Atlantica



Eduardo Giestas, presidente da Atlantica Hospitality International, grupo hoteleiro que opera marcas uma vez que Choice, Hilton, Radisson e Wyndham no Brasil, diz em entrevista na série UOL Líderes, que os brasileiros aprenderam a gostar de viajar pelo Brasil.

Segundo o executivo, turistas que antes buscavam destinos no exterior, uma vez que Miami, Novidade York ou Paris, agora têm buscado destinos nacionais. A mudança é efeito do câmbio e da pandemia da covid-19. “Vimos o turismo de lazer no Brasil se desenvolver muito rapidamente na pandemia e é um legado que fica”, diz.

O executivo também fala dos investimentos da empresa em resorts próximos a grandes centros urbanos, uma vez que opção de lazer com praticidade, e na governo de empreendimentos residenciais. Esse último é um protótipo híbrido entre hotelaria e aluguel de residência de curta temporada, que compete com o Airbnb.

O executivo comenta ainda as propostas de reforma tributária em discussão no Congresso, que podem afetar o setor de hotelaria, e fala sobre o papel do setor na geração de empregos. “Gostaria de ver o turismo quase uma vez que uma política de Estado”, diz.

Ouça a íntegra da entrevista com Eduardo Giestas, presidente da Atlantica, no podcast UOL Líderes. Você também pode presenciar à entrevista em vídeo no meato do UOL no YouTube.

Leia a seguir trechos da entrevista:

UOL Líderes – O setor de hotelaria sofreu muito com a pandemia. Uma vez que está a situação hoje?

Eduardo Giestas – Foram dois anos de pandemia que impactaram muito o setor, em 2020 e 2021, o ano de 2022 está caracterizado pela consolidação da retomada, esperávamos já fechar o ano nos mesmos patamares do que foi a pré-pandemia, e para a nossa surpresa vamos fechar o ano com incremento, relativo a 2019, da ordem de 48%. Esperamos fechar o ano com faturamento entre R$ 1,75 bilhão e R$ 1,8 bilhão.

O comportamento do consumidor mudou depois da pandemia?

Do ponto de vista mercantil, o que vimos, que é muito positivo, é que o brasílio aprendeu a gostar de viajar internamente, ele adotou o Brasil uma vez que um rumo de viagem interessante, não só pela pandemia, também pela desvalorização do real. Vimos o turismo de lazer no Brasil se desenvolver muito rapidamente na pandemia e é um legado que fica. Estamos vendo perspectivas de desenvolvimento de novos empreendimentos com perfil de lazer e em destinos de lazer uma vez que nunca tínhamos visto antes.

E vocês estão investindo nisso?

Estamos investindo. Originalmente sempre fomos uma empresa vocacionada para a hotelaria de negócio. Hoje em nosso portfólio de 170 hotéis já temos mais de 20 que são hotéis com perfil de lazer em destinos de lazer. Nesse ano estamos fechando mais uns oito contratos com esse perfil. Também temos uma modalidade interessante que são resorts urbanos, hotéis que têm uma infraestrutura de resort e estão no entorno de grandes cidades, para os moradores dessas grandes cidades poderem ter um termo de semana semoto do grande meio. Hoje já temos 25 hotéis com esse perfil e devemos fechar o ano com mais de 12 contratos já assinados para desenvolvimentos futuros.

Esse turista que hoje está procurando destinos no Brasil para onde ia antes?

O turista brasílio sempre buscou destinos uma vez que os parques temáticos dos Estados Unidos, algumas cidades europeias, Miami, Novidade York, Buenos Aires, Paris.

Uma vez que é a Atlantica

Funcionários diretos

5.500

Clientes por mês

Média de 250 milénio hospedagens por mês, em 2022, em toda a rede

Países onde atua

Brasil

Fatia de mercado

A Atlantica tem 16% do mercado de hotéis com bandeira, segundo relatório “Hotelaria em Números – Brasil 2022” da JLL. A primeira administradora de hotéis embandeirados do ranking, segundo a publicação, é a Accor com 25%.

Principais concorrentes

Accor

Ano de instalação

1999

Vocês também trabalham com governo residencial. Uma vez que funciona?

Esse é um negócio bastante disruptivo para a gente, é uma tendência que já se vê em outros mercados mais evoluídos há qualquer tempo. Basicamente são residenciais com serviços, um híbrido entre hotelaria e o aluguel de residência de curta temporada. São estúdios padronizados, com rostro de um apartamento, têm o padrão de hotelaria e são comercializados pela nossa plataforma. O hóspede opta em ter uma experiência de hospedagem no estúdio com uma jornada toda digitalizada. Ele escolhe os serviços que quer ter sob demanda, por meio de um aplicativo. Estamos olhando isso uma vez que uma grande avenida de incremento para o porvir.

É um tanto parecido com Airbnb?

É um resultado que compete com Airbnb. A diferença é que o Airbnb é uma plataforma que une o viajante com o proprietário de um imóvel que tem ociosidade. Nós fizemos um trabalho um pouco mais completo, oferecemos para os donos do estúdio a gestão inteira daquele empreendimento, desde a montagem do estúdio, manutenção, toda a limpeza, cuidamos da precificação. E para o hóspede é uma experiência com muita segurança de padrão de qualidade, ele sabe o que vai encontrar. É um híbrido entre o Airbnb e a hotelaria tradicional.

Pode nos indicar três propostas para o Brasil melhorar?

Espero muito do novo governo que trabalhe sempre no fortalecimento das instituições democráticas, porque o Brasil é um país que tem segurança geopolítica, dissemelhante de outros grandes mercados emergentes, e tem uma democracia sólida, e essas duas coisas combinadas atraem capital internacional. Isso tem que ser protegido e desenvolvido. Outra questão importante é termos um foco muito grande com relação à responsabilidade fiscal. Estamos entrando em uma tempo difícil de inflação e ordinário incremento, logo é importante termos a preocupação com a questão fiscal do país. E por último penso que é preciso dar perenidade à taxa de reformas estruturantes. Tivemos movimentos importantes de reforma da previdência, reforma trabalhista, que elas sejam protegidas e que tenham evoluções. Precisamos ainda endereçar a reforma tributária, que é importante para o país atrair capital e desenvolver as cadeias de produção.

Você citou a reforma tributária. Dentro das propostas que existem hoje, o setor de serviços seria mais tributado do que ele é hoje, a indústria um pouco menos. Isso afetaria o setor hoteleiro. Uma vez que você vê isso? É um sacrifício necessário?

Eu pessoalmente vejo a urgência da reforma tributária para endereçar três pontos: simplificar o sistema, porque é ineficiente e espanta muito investimento; temos um sistema injusto, que tem que ser, de indumentária, progressivo e tributar quem tem mais potencial de pagamento; e é um sistema hoje que também precisa estimular mais a evolução das cadeias de produção. Eu entendo que deva ter uma adequação do tributo para o setor de produção industrial, mas o setor de serviços não pode ser o que pague essa ressarcimento. A enxovia de serviços hoje é mais de 70% da economia brasileira. O importante é que discussão está oportunidade e será um processo negocial.

Em muitos lugares do Brasil, o turista chega em um hotel super equipado, e quando atravessa a rua se depara com uma desigualdade gritante. Uma vez que mourejar com essa situação?

Tem várias maneiras de se encarar isso. Eu tive a oportunidade de trabalhar por um tempo com a Previ no Multíplice da Costa do Sauípe. Esse empreendimento foi construído no litoral setentrião da Bahia, em uma região de muita pobreza. Ele virou um grande empregador da região, gerou trabalho, pundonor e desenvolvimento para muitas pessoas da região. A hotelaria é um setor que tem um impacto social muito grande, porque ele é um grande distribuidor de renda. Ele não é uma indústria intensiva de capital que gera valor com base em investimentos em ativos fixos, o valor dele está exatamente na empregabilidade das pessoas. Eu gostaria de ver o turismo quase que uma vez que uma política de Estado nesse país, porque é um tanto que promove desenvolvimento, gera PIB e é extremamente inclusivo, distribui renda, contrata e desenvolve a base da pirâmide social.

Quem é Eduardo Giestas

Nome completo

Eduardo Moreira Giestas

Função atual

CEO da Atlantica

Primeiro trabalho

Trainee na Nestlé Beverage em São Francisco

Cargos de destaque na curso

Principal da A.T.Kearney
COO da Simples
CEO e Board Member de Sauipe S.A.
CEO da Anhembi Morumbi/FMU – Laureate

Cidades em que morou

Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Eastbourne (Inglaterra), Washington D.C. e São Francisco / California

Graduação e pós-graduação

Governo de Empresas pela George Washington University em D.C.

Família

Casado, 3 filhos

Hobbies

Surfar, percorrer, cozinhar, ler, viajar

Livro

“Memórias da Segunda Guerra Mundial”, de Winston Churchill – “A narrativa de quem viveu o evento mais marcante do século 20 com papel e protagonismo único. Liderança com propósito de tutelar a liberdade e a democracia tendo que enfrentar adversidades políticas e econômicas internas, a guerra em si, e ainda convencer e montar uma frente ampla de resguardo com duas nações/líderes muito distintas: uma que ele admirava e outra que ele desconfiava profundamente. Importante frisar que além de um grande político, Churchill foi um ótimo jornalista”.

Filme

“Pink Floyd – The Wall”, do diretor Alan Parker – “Combinação de música, imagem e animação e roteiro. Assisti a primeira vez em 82, quando perdi meu pai aos 14 anos. A construção e desconstrução do personagem a partir da perda do pai e das consequências do sucesso dentro do contexto da guerra, da negação do sistema de ensino inglês e do mundo do rock me fascinaram. Desde logo faz secção de minha memória afetiva.”

Time de futebol

Corinthians



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